Schumacher: azar na hora errada!

liviooricchio

21 Outubro 2006 | 19h43

Em 11 anos de Ferrari, Michael Schumacher teve três problemas de motor em corrida. A última vez foi no Japão, há duas semanas, quando pode ter perdido o campeonato. E não é que hoje, de novo, tão próximo da experiência triste de Suzuka, o motor da Ferrari voltou a apresentar uma pane. O que quebrou agora foi a bomba de gasolina e Schumacher não perderá 10 colocações no grid. Mas o efeito acabou sendo o mesmo, já que largará em 10.º. O alemão provavelmente faria a pole position.

“O problema de hoje não altera nada o meu objetivo de lutar pelo título de construtores”, disse, sem demonstrar abatimento. “Compreendi logo o que se passou e procurei retornar o mais rápido possível aos boxes para aproveitar a classificação.” Lamentou a sequência dos acontecimentos: “Uma pena, não deu tempo para repararmos nossa dificuldade. Nosso carro está muito rápido, equilibrado, brilhante, diria, gostoso de dirigir, faríamos uma primeira fila toda Ferrari, não hesito em acreditar.” Schumacher registrou o melhor tempo em absoluto da sessão que definiu o grid, na segunda classificatória, com 1min10s313.

“É, foi a segunda vez seguida”, lembrou, voltando a falar do motor. “Essas coisas acontecem, paciência, não há nada que eu possa fazer para mudar.” Seu consolo, como disse, foi o resultado do companheiro, Felipe Massa, de longe o piloto com quem Schumacher mais se identifica, mais elogia, visivelmente mais gosta como parceiro em 15 anos de Fórmula 1. “Estou muito feliz por ele, espero que amanhã possa vencer, o que seria muito especial para ele, diante da sua torcida.”

A respeito da luta pelo título de pilotos, Schumacher manteve o discurso assumido desde a quebra do motor no GP do Japão, quando anunciou que, para ele, a disputa “acabou.” Diz não desejar a quebra de Fernando Alonso para conquistar o Mundial. E amanhã, para piorar seu pessimismo, o espanhol da Renault vai largar na segunda fila, em quarto lugar. “Seu resultado não tem nenhum efeito em mim. Eu, de verdade, não penso no título de pilotos. Estou profundamente estimulado para tentar dar à Ferrari o campeonato de construtores e combaterei até o fim por isso.” Deu a impressão de estar com gana, o que pode ser a garantia de um grande espetáculo, amanhã.

De novo não abordou a questão de o GP do Brasil ser o último da sua carreira. Em todo o fim de semana, dá impressão de estar bem relaxado. Ontem, no apertado espaço destinado à Ferrari, atrás dos boxes, Schumacher conversava descontraidamente com a esposa, Corinna, e seus amigos alemães e da Suíça. Não demonstrou nenhuma emoção maior por estar abandonando aquilo que diz mais amar na vida, fora sua família: o automobilismo. Amanhã é o último dia de Schumacher na Fórmula 1. “Aproveitem minha despedida”, sugeriu ontem o maior vencedor da história.