Schumacher "chorou" ou simulou estar acordando?

liviooricchio

20 Outubro 2006 | 00h25

A Fórmula 1 ainda discutia, ontem no fim de tarde, o significado do gesto de Michael Schumacher, em resposta à pergunta “Michael, o que você faria se num dia de corrida você acordasse, fosse ao espelho e visse a imagem de Rubens Barrichello?”, proposta pelo Repórter Vesgo, do Pânico da TV, na entrevista coletiva. O piloto da Ferrari riu e esfregou os olhos com a mão. Estaria chorando ao compreender que é, na realidade, Rubinho? O humorista lhe deu de presente, na sequência, uma tartaruga de plástico: “Michael, é a tartaruga Rubens.” De novo o alemão sorriu e lhe colocou o boné que usava.

Por essa Schumacher não esperava. Havia respondido coisas do tipo “o Mundial de Pilotos acabou mesmo, como você afirmou no Japão?” ou “do que mais sentirá falta da Fórmula 1?” já que irá se retirar da competição. Não está acostumado com situações inusitadas como a experimentada ontem. Fez sinal de não ter compreendido direito depois de lhe traduzirem a pergunta. Mas, a seguir, agiu de imediato, simulando o que para alguns soou como um choro. A lotada sala do Teatro Alfa, local do encontro, quase veio à baixo com as gargalhadas dos jornalistas de todas as nações que cobrem o evento.

Como a entrevista de ontem aconteceu um dia apenas depois de Rubinho ter lhe criticado, o que pareceu ser um choro do piloto da Ferrari ao ser comparado ao atual piloto da Honda representaria sua resposta à “acusação.” Rubinho afirmou quarta-feira: “50% das pessoas vão lembrar das coisas ruins que ele fez e 50% das vitórias” e “com o tempo Schumacher cairá no esquecimento, como é normal com todo esportista de pára de competir.” Os italianos, de modo geral, viram como parte dos brasileiros: “Schumacher chorou ao ver que era Barrichello.” Há até quem tenha visto ações completares no ato de esfregar os olhos, como a expressão da sua boca, com as extremidades mais baixas, caricatura de quem chora.

As muitas versões lançaram no paddock o benefício da dúvida. Por mais incrível que possa parecer, não a respeito de quem será campeão domingo, o próprio Schumacher ou Fernando Alonso, da Renault, como seria de se esperar, mas se Schumacher fez que chorou ou não. Afinal, ele não pronunciou uma única palavra. “Schumacher esfregou os olhos sugerindo não ter acordado ainda”, dizia parte importante da imprensa alemã, maior conhecedora da cultura do piloto. Muitos não viram intenção de Schumacher atingir Rubinho, com quem compartilhou a Ferrari de 2000 até ano passado. O que chamou a atenção dos alemães também foi o aplauso generalizado ao gesto de Schumacher. “Não entendi”, disse um jornalista do seu país.


O grupo dos que colocam a mão no fogo na tese de que Schumacher chorou recorreu a outro argumento: o piloto brincou com a tartaruga na mesa, como se percorresse uma pista, e com boné, dando-lhe certa conotação humanitária. “Era o Rubinho.” A seguir Schumacher levantou-se porque a entrevista coletiva acabou. Mas a dúvida se ele pretendeu atingir ou não o ex-companheiro acompanhará o fim de semana decisivo em Interlagos. Isso se Schumacher responder, domingo, depois da prova, quando certamente lhe perguntarão novamente.

Já no início quase da noite, Rubinho manifestou-se a respeito da discussão que tomou conta do paddock: “É o lado pequeno do Brasil em termos de humor. Mostra algumas pessoas de maneira pejorativa.” Comentou que irá assistir ao programa, mas não se sentia atingido. “Graças a Deus passo mais tempo aqui trabalhando com minha equipe.”