Schumacher: corrida antológica

liviooricchio

22 Outubro 2006 | 20h57

Talvez o que melhor tenha definido o desempenho de Michael Schumacher na sua corrida de despedida da Fórmula 1, hoje em Interlagos, tenha sido o homem que o lançou na competição, Flavio Briatore, diretor-geral da Renault: “Michael está louco em parar, eu nunca vi uma performance dessas. Ele teve todo tipo de problema nos últimos dois dias aqui em Interlagos e correu como um campeão. Gostaria de vê-lo no meu carro de novo.”

Schumacher presenteou seus fãs com um prova histórica na sua despedida da Fórmula 1. Um toque de Giancarlo Fisichella, da Renault, na 8.ª volta, furou seu pneu traseiro esquerdo. Com a parada para substituí-lo, o piloto da Ferrari caiu para a última colocação, distante 37.7 segundos atrás do penultimo classificado, Tiago Monteiro, da Spykers. Sua recuperação entrará para a antologia do GP do Brasil. Schumacher recebeu a bandeirada em quarto, a 5 segundos e 436 milésimos de Fernando Alonso, da Renault, segundo colocado.

“Não foi a minha melhor corrida”, disse o piloto. Pode não ter sido, mas está dentre as suas mais perfeitas. Schumacher fez questão de dizer: “Foi a melhor maneira de concluir a temporada em termos de velocidade do nosso carro, soberbo. Hoje, se não tivesse furado o meu pneu, eu e Felipe faríamos 1.º e 2.º e ainda daríamos uma volta no terceiro colocado.” O alemão isentou Fisichella pelo toque. “Não dá para julgar, a equipe me disse que o aerofólio dianteiro dele cortou o meu pneu.”

Toda a confiabilidade do seu equipamento nos últimos anos o deixou na mão nas últimas duas etapas do Mundial. No Japão quebrou o motor da Ferrari e no Brasil, a bomba de gasolina, sábado. E teve ainda o incidente com Fisichella para completar a fase de incidentes. “Engraçado, o símbolo de minha carreira será a marca dos 500 metros.” A imprensa pediu para explicar: “Quando estreei na Fórmula 1 (GP da Bélgica de 1991), eu percorri apenas 500 metros porque quebrou a transmissão. E hoje, na última corrida, depois de 500 metros da linha de chegada o toque de Fisichella me mandou para os boxes.”


A maior parte das 71 voltas da prova fizeram com que Schumacher se divertisse muito. “Ver diminuir as diferenças para os que estavam na minha frente, volta a volta, muito bom. No começo, quando regressei à pista em seguida a substituir os pneus, todos estavam tão longe, foi muito chato, achei que não teria nenhuma chance.” Faltou muito pouco para classificar-se no pódio, seu objetivo para aquelas condições. “Mais 5 voltas e estaria lá.” Cruzou em 4.º, a 4 segundos e 700 milésimos de Button, terceiro.