Schumacher, de coração aberto

liviooricchio

09 Setembro 2006 | 12h24

Ouvi muita gente falar de Michael Schumacher ao longo de seus 245 GPs, sem contar o da Itália, nesse fim de semana. Tive o raro prazer de conviver profissionalmente com esse gênio das pistas nesses anos todos. E, da maneira como amo esse esporte, não preciso dizer que me deleitei em vários momentos com sua competência extrema. Relaciono, aqui, algumas frases marcantes que ouvi do piloto.

“Não entendo como um campeão como ele possa fazer um brake test comigo em plena reta a quase 300 km/h.” Endereçada a Ayrton Senna, nos treinos do GP do Brasil de 1992. Senna, enfurecido com a acusação, explicou que seu novo McLaren Mp4/7 apresentava um corte de energia elétrica e por isso desacelerava.

“Eu o vi correr de kart, na Itália, e desde então foi o piloto que mais me impressionou, dentre todos que conheci. Por isso igualar seu número de vitórias representou algo que fugiu ao meu controle emocional.” No GP da Itália de 2000 Schumacher venceu pela 41.ª vez, número de vitórias de Senna na F-1.E chorou como nunca se viu. Hoje o alemão tem 89 vitórias.

“Depois do GP da África do Sul de 1993, procurei Roland Bruynseraede (diretor de prova da F-1), e lhe disse que Senna me havia colocado para fora da pista. Ele me respondeu que tudo não passou de um acidente natural de corrida. A partir daí compreendi quais eram as regras da F-1.” Resposta de Schumacher sobre o porquê de sua fama de mau caráter.

“Quando me tiraram o título de vice-campeão do mundo, em 1997, por causa do incidente com Jacques Villeneuve, achei que aquilo serviria para zerar todas as rixas entre pilotos. Mas depois Damon Hill, no ano seguinte, no Canadá, jogou sua Jordan contra minha Ferrari em plena reta, a 300 km/h. E também não lhe aconteceu nada. Compreendi, então, que as regras são as mesmas.”

“Meu irmão (Ralf)? Seria o único piloto com quem não dividiria uma equipe. Considero-o competente. A respeito de nossas disputas, não acho que eu procure dificultar mais que os outros uma eventual ultrapassagem dele, como já li. Apenas o considero, na pista, um adversário.”

“A Ferrari é a minha vida. Quando compreendo o esforço de cada um na equipe, do mais simples funcionário à direção, sinto-me na obrigação de dar não 100% de mim, mas 110%. Cada conquista que obtemos tem esse sabor especial para mim: o resultado do trabalho incansável de todos no time. Amo essa gente.”