Schumacher, nem aí para nada

liviooricchio

21 Outubro 2006 | 02h34

Michael Schumacher pode conquistar, domingo, outro título mundial, o 8.º da sua carreira, o que por si só já deixaria muita gente no mínimo apreensiva. E como se não bastasse, o GP do Brasil é a sua última corrida na Fórmula 1, a quem dedicou parte importante de sua vida nos últimos 15 anos. Mas nem assim o piloto da Ferrari demonstrou qualquer emoção mais forte, ontem, em Interlagos, depois de registrar o sexto tempo no primeiro dia de treinos.

“Já disse antes, não senti diferença ainda. Estou aqui com minha família, o que é, sem dúvida especial, e domingo à noite celebraremos a ocasião com um jantar, apenas isso”, falou Schumacher, sem transparecer, até agora, viver rotina distinta da de outras provas. “A não ser o problema que tive no controle de tração, minha sexta-feira seguiu como as outras.” Deu mais detalhes: “O sistema deixou de funcionar. Perdi a segunda metade do treino.” Schumacher chegou a rodar na saída do Pinheirinho, quando acelerou forte imaginando que o controle de tração manteria o carro na trajetória.

A imprensa desejava saber mais a respeito de o GP do Brasil ser o seu último. Você já pensou no que irá sentir depois de cruzar a linha de chegada? Não imagino e ainda não pensei nisso. Pergunte-me domingo, em seguida à bandeirada.” Suas declarações não pareceram evasivas propositalmente. Traduziam com precisão, pelo visto, seu estado de espírito. Schumacher sensibilizou-se, contudo, com a iniciativa da BMW Sauber. A equipe alemã escreveu na parte porterior do aerofólio traseiro de seus carros “Thank you, Michael”.

“Foi uma surpresa, um lindo gesto, não esperava, gostaria de agradecê-los publicamente.” Elogiou, também, o jovem piloto alemão Sebastian Vettel, terceiro piloto da BMW Sauber, de apenas 19 anos, sempre muito veloz nos treinos de sexta-feira, sem cometer erro algum. Ontem registrou o 3.º tempo. “Tem demonstrado ser competente.”

Uma vez que a questão da despedida não rendia muito, os jornalistas perguntaram da decisão do campeonato. E Schumacher, de novo, não se entusiasmou. “Gosto de me colocar objetivos realistas. E não é realista pensar que entre eu e Alonso haverá dez colocações.” Para ser campeão precisa ganhar a corrida e Alonso não marcar pontos. Mas reconheceu: “Posso vencer, domingo, podemos até ser campeões entre os construtores, para isso necessitamos de uma dobradinha, mas não posso pensar em título de pilotos, não é realista.”

Sobre o resultado do treino de ontem, em que registrou 1min13s713, apenas 107 milésimos de segundo melhor que Alonso, 10.º, Schumacher comentou: “Estou contente com nosso ritmo. O carro e os pneus funcionaram muito bem.” Hoje ele disputa das 14 às 15 horas a sessão que definirá o grid.