Schumacher, o grande Schumacher

liviooricchio

08 Outubro 2006 | 10h53

“O Mundial de Pilotos, a esta altura, acabou.”, afirmou Michael Schumacher, ontem, depois de abandonar o GP do Japão. “Não quero disputar o título tendo de torcer para meu adversário se retirar a fim de que eu seja campeão. Não é assim que desejo essa conquista.” Foi assim que o piloto da Ferrari reagiu logo no início da conversa com a imprensa.
“Eu posso conviver com desapontamentos como o de hoje. Fazem parte do nosso negócio, automobilismo. Não estou triste, ao contrário, até orgulhoso”, afirmou, altivo. “Quem apostaria um centavo, depois do GP do Canadá, que nós reverteríamos uma situação que parecia perdida? Mas nós conseguimos.” Não parou o discurso: “Nossa equipe é grande, nossos rapazes são os melhores, eu os amo, não há razão alguma para acusar alguém pela quebra do meu motor, nós conquistamos tanta coisa já. Vencemos juntos, perdemos juntos, como hoje.”
Foi o 50.º abandono da carreira de Schumacher que disputou, em Suzuka, seu 249.º GP, o 180.º pela Ferrari. Em 11 anos na escuderia de Maranello em apenas três oportunidades o motor rompeu-se durante a corrida: Austrália 1998, França 2000 e ontem. São números impressionantes de eficiência se confrontados com o de outras equipes.
Sobre o GP do Brasil: “Será minha última corrida. Darei, como sempre, o meu melhor. Acredite que serei um homem feliz seja qual for o resultado.” Apesar de dizer que Fernando Alonso já é o campeão, lembrou que há outro campeonato em aberto. “Vou para Interlagos tendo como foco o Mundial de Construtores. Esse, sim, é possível de ser revertido a nossa favor.” A Renault somou 16 pontos ontem em Suzuka e a Ferrari, 8. Lidera com 195 diante de 186 dos italianos. “São 9 pontos a mais que precisamos”, disse Schumacher.
A primeira reação, dentro do carro, não foi de raiva. “Compreendi logo qual o problema e já em seguida as suas consequências. Perdi não só os 10 pontos da vitória como o campeonato.” Explicou, de novo, os motivos de entregar os pontos, deixar de lutar pelo título de pilotos: “Fernando necessita de apenas 1 ponto. Sabemos como é bom piloto, deverá ser muito fácil para ele em Interlagos.”
Corrigiu o jornalista: “Não vou deixar de lutar, ao contrário, darei tudo de mim, mas visando o Mundial de Construtores, por quem tenho uma ponta de esperança, o que não é o caso do Mundial de Pilotos porque não vejo como reverter essa situação.”
Schumacher não muda o que pensa do automobilismo: “Amo esse esporte, o que aconteceu hoje não altera o que sinto pelas corridas. Esses sobes e desces é que fazem o sentido da vida. Seria horrível se tudo fosse constante.” Em princípio, Schumacher deverá treinar quarta e quinta-feira em Jerez de la Frontera, Espanha, visando a prova de São Paulo. Somente hoje ele e a direção da Ferrari confirmarão se o programa original será, agora, mantido.
Jean Todt, diretor-geral da escuderia, também falou, ontem: “A desilusão é enorme. Com mais da metade da prova tínhamos Michael na liderança e Felipe Massa em terceiro, abrindo enorme perspectiva de conquistarmos os dois títulos no GP do Brasil”, disse. “A situação, no entanto, se reverteu totalmente e é provável que de maneira irreversível. Pagamos um preço altíssimo por falharmos na confiabilidade do equipamento.”