Schumacher: o piloto das causas impossíveis

liviooricchio

01 Outubro 2006 | 12h42

Michael Schumacher, sete vezes campeão do mundo, é também o piloto das causas impossíveis. Hoje, no circuito de Xangai, na 14.ª volta do GP da China, com o asfalto molhado, estava na 5.ª colocação, 25 segundos e 353 milésimos atrás do líder, Fernando Alonso, da Renault. Na 56.ª, com a pista quase seca, recebeu a bandeirada em primeiro, 3 segundos e 121 milésimos na frente de Alonso, 2.º. Essa sua extraordinária capacidade de reverter situações quase perdidas o levou, agora, a liderar o Mundial e colocar-se em situação bastante favorável para vencer o campeonato nas duas etapas que restam, o GP do Japão, domingo, ou, como é mais provável, na corrida de Interlagos, dia 22.
Depois de 16 etapas, Schumacher soma 116 pontos, o mesmo de Alonso, mas no primeiro critério de desempate, número de vitórias, o alemão da Ferrari está na frente: 7 a 6. Matematicamente, já no GP do Japão, domingo, será possível para Schumacher conquistar seu 8.º título antes de abandonar a carreira. Terá de vencer a prova de Suzuka e torcer para o espanhol da Renault não marcar pontos. Assim, chegaria a 126 pontos enquanto Alonso permaneceria com 116. Mesmo que o piloto da Renault vencesse em São Paulo e Schumacher não fizesse pontos, ambos empatariam em 126 pontos, mas com a vitória do piloto da Ferrari também em Suzuka essa conta ficaria 8 a 7 a seu favor.
Por mais que a transferência de Kimi Raikkonen da McLaren para a Ferrari e de Fernando Alonso da Renault para a McLaren tenham já criado enorme expectativa com relação ao próximo Mundial, não há como negar que a Fórmula 1 sentirá saudades das pilotagens épicas de Michael Schumacher, como a de ontem. “Ganhar quando já não contava mais com a vitória é mais gostoso, estou felicíssimo”, disse o alemão. “Nas duas primeiras vezes que viemos para a China (2004 e 2005) não fiz um ponto sequer. Hoje, ao chegar no circuito, com aquela chuva, pensei comigo mesmo, de novo não fazer nada, a essa altura da disputa…”
A chuva, ontem, havia mostrado, como na Hungria, que as equipes com pneus Michelin, caso da Renault, seriam mais rápidas. A Ferrari compete com Bridgestone. “Fiquei surpreso no começo da corrida por ter acompanhado de perto o ritmo dos primeiros, com o asfalto ainda bem molhado”, comentou o piloto da Ferrari. “Mas à medida que foi secando, eu podia ser mais rápido em relação a meus adversários. O treino livre de sábado já havia nos mostrado essa tendência.” Mas só isso não bastaria para Schumacher vencer. Ele contou com o erro de Alonso e da Renault de ter substituído os pneus dianteiros no primeiro pit stop, na 22.ª volta. Quem manteve os pneus, todos usavam o tipo intermediário por ainda haver água no asfalto, pôde ser mais rápido.
Na 30.ª volta, aquela vantagem de Alonso sumira, a ponto de Schumacher ultrapassá-lo na curva 2 para assumir o 2.º lugar. Giancarlo Fisichella, companheiro do espanhol, já o havia feito na passagem anterior. Na 40.ª volta, já era possível substituir os pneus intermediários pelos de pista seca e Schumacher pára nos boxes. Fisichella faz o mesmo na volta seguinte. “Minha chance seria reduzir o que desse para Fisichella a fim de tentar ultrapassá-lo na volta em que saísse dos boxes”, explicou Schumacher. “Não esperava cruzar a saída de box à sua frente, como de fato ocorreu, mas aproveitar seus pneus frios. Eu já vinha de uma volta com os pneus novos.”
Fisichella o ajudou. Na curva 1, em seguida a deixar o box, sua Renault saiu da trajetória. “Meus pneus estavam frios, freei e acabei indo em frente. Ainda tentei defender a posição”, falou o italiano, frustrado. “Desculpe, mas absolutamente adorei ver Fisichella na parte mais molhada da curva 1. Era a oportunidade que esperava.” Schumacher passou com duas rodas sobre a grama, por dentro da curva 1, na 41.ª volta, para tornar-se líder. “A partir daí, guiei com o máximo cuidado para também economizar meu motor para Suzuka, pista que amo. Se olhar para trás, diria que é um milagre empatar na classificação. Confesso que passarei duas semanas ansioso”, afirmou.
Giancarlo Fisichella terminou em 3.º, enquanto pelo 4.º lugar Nick Heidfeld, BMW, Rubens Barrichello, Honda, e Jenson Button, Honda, lutaram até a bandeirada. Deu Button, depois que Rubinho, 6.º, e Heidfeld, 7.º, se tocaram na freada do fim da reta, por culpa de Takuma Sato, SuperAguri, e Christjan Albers, da Spyker, retardatários. Sato foi desclassificado do 14.º obtido e Albers teve 25 segundos acrescentados a seu tempo, 16.º. Felipe Massa, Ferrari, abandonou na 44.ª depois de tocar rodas com David Coulthard, Red Bull.