Schumacher vence o primeiro round

liviooricchio

21 Outubro 2006 | 02h31

Michael Schumacher venceu o primeiro round na luta com Fernando Alonso pelo título mundial, categoria FIA. Mas não por nocaute. Foi por pontos e bem poucos. O alemão da Ferrari estabeleceu, ontem, o 6.º tempo no primeiro dia de treinos do GP do Brasil, enquanto o espanhol da Renault, o 10.º, mas a diferença entre ambos não passou de 107 milésimos de segundo. Curiosamente, os dois enfrentaram problemas em seus carros. O mais rápido do dia foi o austríaco Alexander Wurz, terceiro piloto da Williams, já promovido a titular em 2007.

Conforme estava no script, Schumacher e Alonso não deixaram os boxes na sessão da manhã, realizada das 11 horas ao meio dia. “A chuva levou muita sujeira para o asfalto. À medida que os carros percorriam o circuito, tornava-se mais veloz”, explicou o asturiano. Treinar nessas condições, bastante distintas das que enfrentarão no restante do fim de semana, lhes acrescentaria pouco. Por isso que manteve-se na pista foram os terceiros pilotos das escuderias, que só participam das atividades de sexta-feira.

Alonso levou um susto antes de entrar na pista, apenas à tarde. Os técnicos da Renault detectaram uma anomalia no motor de seu carro, ainda nos boxes, e precisou ser substituído. Se Alonso tivesse entrado na pista e depois o trocado, perderia 10 colocações no grid, o que poderia começar a comprometer uma melhor resultado na corrida.

Assim, Alonso iniciou a disputa da prova de encerramento da temporada, 18.ª do calendário, com a versão mais antiga do V-10 francês e não a estudada e construída para o GP do Brasil, mais conservadora. Basta-lhe um oitavo lugar para garantir o título mundial. Orientado pela Renault, Alonso evitou o assunto. Não escondeu, contudo, sua estratégia: “Vou tentar vencer, mas se estiver em quinto procurarei manter-me nessa colocação, que me garante pontos.” O 10.º lugar, ontem, com o tempo de 1min13s820, ao contrário do que sugere, agradou o asturiano.

Schumacher também começou sua preparação para o GP do Brasil tendo de resolver um problema técnico: pane no sistema de controle de tração. “Nada grave”, disse. Rodou na pista pelo seu mau funcionamento. Apesar de ter permanecido parado no box por bom tempo, completou, ainda, 15 voltas, uma a menos do adversário na disputa pelo Mundial. O alemão foi surpreendido várias vezes olhando para o céu. A possibilidade de chuva o preocupa. As duas sessões livres foram realizadas com pista seca, mas no fim da tarde a chuva voltou a cair de novo sobre Interlagos. A chuva tende a favorecer mais seu concorrente. Os pneus Michelin da Renault no asfalto molhado, mas sem água em excesso, tem-se mostrado mais eficiente que os Bridgestone da Ferrari.

Tanto Alonso quanto Schumacher explicaram que as condições do asfalto, ontem, naturais depois de dias bastante molhado, não permitiram conclusões sobre, por exemplo, que tipo de pneus escolher para o treino de classificação, hoje, a partir das 14 horas. As equipes têm até o início da sessão para comunicar aos comissários qual pneu utilizarão no restante da programação, a tomada de tempos para o grid e a corrida. “Não ajuda, também, na definição do acerto do carro”, complementou o asturiano.

A proximidade da marca de Alonso com a de Schumacher, provavelmente em condição semelhante, cerca de 50 quilos de gasolina no tanque e o mesmo jogo de pneus o tempo todo em que esteve fora dos boxes, mostra que Renault e Ferrari deverão apresentar performance semelhante ao longo das 72 voltas da prova, domingo.

Os companheiros de equipe de Alonso e Schumacher, que podem ser decisivos na definição do campeonato, ficaram assim: Giancarlo Fisichella, da Renault, foi 12.º e Felipe Massa, Ferrari, 17.º. É provável que experimentassem a resistência dos pneus, sem preocupação maior com os tempos. As equipes podem escolher entre os mais moles e os mais duros. Rubens Barrichello, da Honda, reclamando de falta de velocidade nas retas, ficou em 13.º.