Só a Ferrari é capaz de uma festa como a de Monza

liviooricchio

10 Setembro 2006 | 18h23

Se distribuíssem um questionário para a fanática torcida italiana, hoje em Monza, solicitando-lhe o que mais gostaria que acontecesse ao longo das 53 voltas do GP da Itália, o mais provável é que a maioria respondesse:
“Michael Schumacher, com nossa Ferrari, lógico, vencer a corrida, Fernando Alonso, da Renault, líder do Mundial, não marcar pontos, a Ferrari ultrapassar a Renault no Campeonato de Construtores, Kimi Raikkonen, da McLaren, mas futuro piloto da Ferrari, celebrar um lugar no pódio ao lado de Schumacher, e, quem sabe, um jovem de talento, representante da geração que substituirá Schumacher, que fala italiano, já morou na Itália, gosta do país, também no pódio, se não der para Felipe Massa, lógico.”
E o que foi que aconteceu, hoje, no lendário e veloz circuito que desde 1922 recebe apaixonados pela velocidade? Exatamente o que os tifosi mais desejavam. Tudo junto. Uma loucura! Claro que não poderia ser diferente: as demonstrações de amor à Ferrari, a Schumacher, mais perto, agora, de dar outro título à escuderia, a recepção a Raikkonen, com um recado do tipo…olha o que o aguarda se você também vencer conosco… e ao jovem devoto confesso da cultura italiana, Robert Kubica, dominaram a cena sob o pódio, onde milhares pretendiam ganhar na face algumas gotas da champanhe dos três. Bandeiras, buzinas, bonés, torcedores vestindo camisetas com o símbolo do cavalinho, cidadãos com os cabelos pintados na cor vermelha dos carros criados por Enzo Ferrari, enfim, valia qualquer coisa que permitisse ser identificado como “eu sou, com orgulho, torcedor da Ferrari.”
Quase todo país pode promover uma etapa do Mundial de Fórmula 1, mas bem poucos são capazes de oferecer tamanho espetáculo de devoção a uma causa como a Itália com sua Ferrari, a eterna Ferrari, mais que um emblema de marca de automóvel, praticamente uma questão de soberania nacional. Raikkonen, como comentou mais tarde, tinha outro olhar sobre aquilo tudo. Talvez refletisse pela primeira vez o desafio que irá enfrentar. Se corresponder àquela massa fanática, conhecedora de automobilismo, será quem sabe até mais reverenciado de Schumacher, mas, se frutrá-los, a extensão da condenação não difere muito, em proporção, do que fariam se fosse campeão.
Schumacher tem, agora, depois de 15 etapas, 106 pontos e seis vitórias. Está em segundo no campeonato. Alonso, ainda líder, 108, com seis vitórias também. A diferença entre ambos que já foi de 25 pontos, depois do GP do Canadá, é de apenas 2. Restam as provas de Xangai, dia 1.º, Suzuka, 8, e de Interlagos, 22. Pela primeira vez na temporada, a Ferrari ultrapassou, ontem, a Renault no Mundial de Construtores. Os italianos chegaram a 168 pontos, mesmo sem Massa terminar entre os oito primeiros – ficou em nono – e os franceses, 165. Schumacher atingiu o impressionante número de 90 vitórias na Fórmula 1, nos 246 GPs disputados, enquanto a Ferrari, 190, em 738 participações. Na hora, lá na festa, é provável que os tifosi que “responderam” ao questionário não soubessem desses números. Foi a sorte do pessoal da segurança. Entrariam de delírio.