Tal pai, tal filho

liviooricchio

18 Outubro 2006 | 20h21

Estatura baixa, olhar profundo e homem de pouca fala. Mas diz muito quando se manifesta. Tudo como o pai. Administrador competente: capaz de já na primeira experiência como proprietário e dirigente de equipe conquistar títulos. Também como o pai. Esse é o francês Nicolas Todt, 28 anos, filho do diretor-geral da Ferrari, Jean Todt. “É verdade, nosso time (Art Grand Prix) obteve na GP2 os quatro campeonatos que disputou, mas é prematuro afirmar que vou dirigir uma escuderia de Fórmula 1 também.”

Sua função principal na Fórmula 1, hoje, é empresariar Felipe Massa. E seus planos para o piloto, em 2007, são ambiciosos: “O Kimi Raikkonen é um grande piloto, mas depois de Felipe competir contra Michael Schumacher e mostrar-se extremamente veloz, só posso acreditar que suas chances de ser campeão são boas.” Os adversários da Ferrari perderam força, na sua visão, o que reforça sua tese de que Massa tem possibilidades de disputar o título. “Fernando Alonso foi para a McLaren, equipe que perdeu 4 ou 5 importantes técnicos”, diz. E a Renault ficou sem Alonso.

Como dirigente, Nicolas estreou na GP2, ao montar a Art Grand Prix, escuderia que venceu o campeonato em 2005 com Nico Rosberg e este ano com Lewis Hamilton, além dos dois títulos de construtores da categoria. “Eu criei uma empresa que trabalha com Internet. Passei, a seguir, a gerenciar a carreira do Felipe e decidi investir na formação da Art Grand Prix”, conta, para dar início a suas atividades de dirigente.

“Antes de montar a Art eu, como faço em qualquer negócio, procurei me cercar de garantias, para tornar os riscos os menores possíveis.” Uma das suas responsabilidades é a de encontrar patrocinadores. “Nós os temos e isso permitiu que eu, pessolmente, investisse menos.” O fato de ter o sobrenome Todt implicaria atenção redobrada, diz: “Muita gente me olha, teria de fazer bem feito. Se desse certo, avançaria rápido, mas se fracassasse, cairia depressa também.”


O jovem residente em Paris não se esquiva de falar do pai. “Fez, de fato, um trabalho fantástico na Ferrari, mas ele faz parte de um grupo, o sucesso é de todas as pessoas.” Jean Todt está na direção da Ferrari desde o GP da França de 1993. Nesse período a equipe conquistou 5 títulos mundiais com Schumacher e 6 de construtores. É a fase de maior sucesso não só da Ferrari como de toda a história de uma organização na Fórmula 1. “Cresci nesse ambiente, tive a oportunidade de aprender muito. Não me seria permitido crescer tão rápido em outro ramo de atividade.”