Vantagem técnica da Ferrari em Monza é grande

liviooricchio

08 Setembro 2006 | 16h46

Já que Michael Schumacher não fala mais se continua ou se retira da Fórmula 1 até domingo, o GP da Itália, prova decisiva para as pretensões do piloto da Ferrari ser campeão, ganhou um pouco de atenção. E o próprio Schumacher fez questão de explicar a sua torcida que a Ferrari não será, amanhã na classificação e depois, ao longo das 53 voltas da prova, tão superior à Renault de Fernando Alonso, seu adversário na luta pelo título, quanto hoje. Schumacher registrou o segundo tempo na sessão livre da tarde, 1min23s138, enquanto Alonso, o oitavo, 1min24s577, cerca de um segundo e meio mais lento. “A nossa diferença não será essa”, afirmou Schumacher. O mais veloz foi, como na Turquia, o impressionante alemão de 19 anos Sebastian Vettel, terceiro piloto da BMW.
Deve, de fato, não ser tão grande a diferença da Ferrari, mas a vantagem técnica em Monza será maior que nas últimas etapas. “Os treinos da semana passada já haviam nos mostrado, o resultado de hoje representa a continuação daqueles testes”, falou Felipe Massa, terceiro, 1min23s182. Alonso concordou com Massa: “Eles são de três a quatro décimos de segundo mais velozes que nós por volta. É muita coisa.” As chances de Schumacher reduzir a diferença de 12 pontos que o separa de Alonso (108 a 96) são reais. Se Massa é só otimismo para o GP da Itália, Rubens Barrichello viveu realidade oposta, hoje.
A Honda decidiu antecipar a estréia da versão 2007 de seu motor, a que deveria, em princípio, ser a mesma para os três campeonatos seguintes, mas se deu mal. A FIa impôs o congelamento do desenvolvimento dos motores por três anos. Seu piloto de testes, Anthony Davidson, teve um sério problema ainda na primeira volta do primeiro treino, pela manhã, e à tarde viu seu motor explodir em chamas. A Honda não expôs nenhum de seus pilotos para falar com a imprensa. Rubinho e Jenson Button não treinaram.
Ainda que Schumacher não fale a respeito do que fará da vida, foi impossível, hoje, não encontrar grupos de pessoas da Fórmula 1 discutindo a questão. Trata-se de um segredo tão guardado como nunca se viu na história da competição. Todos os caminhos levam a que a Ferrari vá mesmo anunciar Kimi Raikkonen e Felipe Massa, mas na Fórmula 1 sempre há espaços para imensas surpresas, como seria se Schumacher anunciar que continua na Ferrari. A imprensa alemã dá como certa a aposentadoria. Algumas faixas nas arquibancadas remetiam ao fato: “Schumy + Ferrari = Amore eterno”. Mas havia as que lembravam que quem venceu foi a Ferrari: “Campione siamo noi, grazie Schumy” ou “Os campeões somos nós (italianos), obrigado Schumy.”
Flavio Briatore, diretor-geral da Renault, disse hoje que a Ferrari chegou antes dele em Raikkonen. “Não contava com a saída de Alonso, por isso quando procurei Raikkonen ele já havia se comprometido com a Ferrari.” Alonso confirmou que os primeiros contatos com Ron Dennis, diretor da McLaren, para onde irá correr, começaram no pódio. “Em algumas vitórias do Kimi, ano passado, eu disse a Ron carro veloz o seu, hein, e a partir daí nossas conversas começaram.”Não está arrependido de trocar a Renault pela McLaren. “A Renault não vai continuar investindo o necessário para manter-se na ponta da Fórmula 1”, afirmou, seco.