Vão colocar Alonso para fora da pista em Interlagos?

liviooricchio

13 Outubro 2006 | 15h42

Cheguei ao Brasil e surpreendi-me com o número de pessoas que acreditam na possibilidade de haver algum jogo sujo da Ferrari contra Fernando Alonso na prova de Interlagos, dia 22. O espanhol da Renault necessita de apenas um ponto, ou a oitava colocação, para garantir o título. Isso no caso de vitória de Michael Schumacher. Se o alemão não vencer o bi já é certo.
Não foram poucos os que me perguntaram se acho que Felipe Massa, companheiro do Schumacher na Ferrari, poderia provocar um acidente com o Alonso a fim de tirar o asturiano da corrida. Assim, bastaria a Schumacher ganhar o GP do Brasil para encerrar a carreira com a conquista do oitavo Mundial. E se não for Massa poderia ser alguém da Red Bull, time que utiliza motor Ferrari, ou da Spykers, já de contrato assinado para correr com o motor italiano em 2007.
Schumacher teria, dessa forma, um exército trabalhando para ser campeão. Bastaria completar a última etapa do campeonato em primeiro. E com Alonso e a Renault tendo já anunciado que não irão se preocupar em disputar as primeiras posições, por ser absolutamente desnecessário, o caminho está livre para o alemão receber a bandeirada na frente.
Massa fez 25 anos em abril. Tem um futuro profissional pela frente. A cada prova vê seu nome ser mais respeitado na Fórmula 1. Não dá para imaginar Massa batendo rodas com o Alonso com o propósito de tirá-lo da competição. Dificultar uma eventual ultrapassagem, colocando sua Ferrari sempre por dentro nas freadas, visando reduzir o ritmo do adversário, pode ser. Não é ilegal.
A direção da Ferrari sabe que o mundo vai estar de olho no que vai ocorrer na decisão do título em Interlagos. Depois dos seus jogos de equipe em algumas ocasiões, como no clássico GP da Áustria de 2002, quando ordenou Rubens Barrichello deixar Schumacher ultrapassá-lo para vencer, até a FIA, sempre muito zelosa com a escuderia italiana, terá de agir caso se evidencie qualquer tentativa nesse sentido.
Os tempos são outros. Zeltweg 2002 é um marco. Além de o próprio regulamento, hoje, proibir jogos de equipe, fãns da Fórmula 1 estão sensibilizados ainda com a questão. E essa é uma boa oportunidade para a FIA deixar claro o que é que está valendo na Fórmula 1. Vimos em Monza, naquele casuísmo da entidade, o preço pago: a opinião pública execrou de tal ordem a absurda punição a Alonso que já na etapa seguinte, na China, as regras da classificação mudaram.
Pode até acontecer de Alonso acabar envolvido num incidente que o prejudique, faz parte da normalidade da Fórmula 1. Mas diante da maturidade do espanhol, apesar dos 25 anos apenas, da própria postura da Ferrari, distinta de outra época nem tão longe assim, não dá para imaginar que um eventual incidente com Alonso faça parte de uma trama conjunta cujo objetivo é levar Schumacher ao título.
Seria o total descrédito na instituição Fórmula 1. E por mais que exemplos como a punição a Alonso em Monza mostrem o quanto a FIA pode ser parcial, o próprio Max Mosley, presidente da entidade, tem inteligência para saber até onde pode ir. A disputa pelo título em Interlagos tende a ser limpa.
Assistiremos Schumacher correr provavelmente sem adversários. Não deverá ter dificuldades para ganhar a corrida. Ao mesmo tempo em que veremos Alonso desenvolver seu trabalho independente do que estiver fazendo Schumacher. Classificar-se em oitavo é fácil para ele. O restante ficará por conta do acaso mesmo.