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A batalha de Brasília

Presidente Dilma sanciona medida provisória que deverá tirar o esporte da era amadora-profissional, mas ainda falta o segundo tempo que será jogado no Congresso Nacional em até 120 dias.

Maurício Capela

19 Março 2015 | 16h05

Habemus lei no mundo do esporte no Brasil! Melhor, habemus medida provisória referendada e assinada pela presidente Dilma Rousseff. E o texto tem tudo para tirar o futebol do País desse estágio meio amador, meio profissional e jogá-lo definitivamente nos braços do rigor administrativo e da competência gerencial.

No entanto, imaginar que o apito final já foi soprado, é como acreditar que um jogo de futebol se resolve antes dos 90 minutos. E não, ele não se resolve. Mesmo porque é preciso esperar para saber quantos clubes, imagina-se que quase todos, vão comprar ingresso para entrar nesse novo estágio.

Em outras palavras, a partida em Brasília ainda está no intervalo. Está, porque para a medida provisória virar lei, faz-se necessário também a sanção do Congresso Nacional em um prazo estipulado de 120 dias. Ou seja, há tempo para que a defesa do time contrário se organize. Até porque o texto coloca um ponto final na prática do cheque em branco, o que desagrada, claro.

Mas há muito por vir. Além do crivo do Congresso Nacional, da adesão dos clubes, ainda será preciso constatar no calor da partida o texto da medida provisória.

Quer um exemplo? Ao prever corretamente que um clube que aderiu ao texto seja impedido de disputar um campeonato ou mesmo caía de divisão porque não paga em dia os salários e os direitos de imagem de comissão técnica, funcionários e jogadores, a medida provisória traz para si um grande desafio logo de cara. Qual seja? O de cumprir o que está escrito, mesmo que esse clube seja um Flamengo, um Corinthians, um Vasco ou um Botafogo.

Até porque esse jogo promete ficar mais duro na volta para o segundo tempo. O adversário poderá fazer alguma substituição no texto que possibilite a escalação de um velho companheiro de Brasil: a lei que não pega. 

É claro que a “lei que não pega” não estará, de acordo com o novo texto, livre de marcação. Até porque para entrar nesse processo de refinanciamento de 20 anos será preciso publicar balancetes auditados por empresas independentes, não antecipar receitas prévias de mandatos posteriores e gastar, no máximo, 70% da receita bruta com o futebol profissional, entre outros pontos.

Em outras palavras, a vida vai ficar mais dura para os clubes do País, que aderirem, em um primeiro momento, porque as contratações de impacto vão rarear, tecnicamente os times deverão se enfraquecer e o grito da arquibancada vai aumentar.

Mas não há mágica. A conta daquelas decisões equivocadas, das contratações irresponsáveis e da gastança desenfreada do passado chegou! E veio num boleto, com vencimento em suaves prestações pelas próximas duas décadas.