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Kaká e o mau momento do São Paulo

Com a saída do jogador para os Estados Unidos, o clube perdeu a referência dentro de campo, que se traduz na falta de confiança e na ausência de um craque.

Maurício Capela

09 Março 2015 | 15h23

As duas derrotas do São Paulo para o Corinthians na temporada 2015 expõem claramente o fosso que atualmente separa tricolores e corinthianos. O Corinthians de hoje está à frente, porque tem obediência tática, usufrui dos talentos individuais e demonstra sem titubear sua capacidade de decisão. O mesmo não se aplica ao São Paulo.

É claro que o fato de o técnico tricolor Muricy Ramalho ainda não ter batido o martelo quanto ao sistema de jogo cria algum obstáculo. Mas não explica o mau momento do time.

A sensação é que falta ao São Paulo uma referência no gramado, alguém que lidere a equipe nos momentos em que o jogo passa para os pés do adversário. E injete confiança, tranquilidade e ânimo. O Tricolor pode até não admitir e torcer o nariz, mas a saída de Kaká tem lá alguma relação com esses aspectos.

Em sua segunda passagem no São Paulo, Kaká virou referência. Dividiu responsabilidade na armação das jogadas com Paulo Henrique Ganso, foi porto seguro para atletas mais jovens e foi alvo das marcações adversárias.

Sem ele, sem Kaká, alguém deveria levantar a mão e chamar para si ou o Tricolor notar que seria o momento de procurar alguém que pudesse fazer esse papel. A princípio, não aconteceu nem um cenário e nem outro.

Mas e Rogério Ceni? Não seria dele este papel? Não! Neste caso, não. Ceni é goleiro.

Ainda que seja excelente com os pés, seu poder de armação limita-se a uma boa saída de jogo ou a uma reposição rápida, por exemplo. E não há demérito algum nisso. Pelo contrário! Há reconhecimento, uma vez que é próprio da posição de goleiro, que mesmo sendo fundamental, tem seus limites bem definidos no futebol, mesmo com Ceni demonstrando que se pode ir além deles.

A questão, portanto, é ter uma referência que tire o adversário da zona de conforto e permita aos demais jogadores do elenco aumentarem o seu rendimento.

Em outras palavras, mesmo depois das boas contratações, que qualificaram ainda mais o plantel, o que falta ao São Paulo se resume em uma única palavra: craque. Mesmo neste elenco repleto de bons valores, ainda assim o São Paulo não tem um craque. Um craque como Kaká.