As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

No “jogo” da violência no futebol, promotor passa a bola ao Estado

Estado tem papel fundamental no combate à violência nos estádios, mas também é preciso, além de reprimir, conscientizar e conquistar novamente o torcedor comum.

Maurício Capela

02 Março 2015 | 15h45

Paulo Castilho, o promotor do Juizado Especial Criminal, falou ao Estadão. E não economizou! Foi direto e garantiu que se o Estado de São Paulo não adotar alguma política de segurança em relação ao futebol, ele, Paulo Castilho, vai tirar o time de campo.

O link da entrevista é este: http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,ou-adotamos-uma-politica-de-combate-a-violencia-ou-estou-fora,1641612. E vale a visita, principalmente quando se lê o termo “enxugando o gelo”.

De fato, quando o assunto é violência em partidas de futebol no Brasil, o que tem acontecido é um movimento de juntar alguns “rodos”, “panos secos” e “baldes” para tentar enxugar a enorme enxurrada de problemas gerados a partir de um simples jogo de bola. E isso definitivamente precisa mudar!

Precisa primeiramente pela simples questão de segurança pública. Nenhum cidadão, incluindo aquele que não vai a estádios, ao circular pelas vias próximas às arenas em dias de jogos deve passar por constrangimentos ou mesmo evitar passar pela localidade. Por si só, isso já é um cerceamento às pessoas.

Depois, restringindo-se apenas ao universo do futebol, clube algum do mundo vai conseguir sobreviver sem a presença contínua e consistente de torcida. E no Brasil faz-se necessário deixar explícito que torcida não se limita aos grupos uniformizados que ganham cada vez mais espaço na vida dos times do País.

A torcida é maior que esses grupos. E será ela, que uma vez fidelizada, vai garantir ao time receita e calor humano de maneira perene.

Trocando em miúdos, a violência não pode continuar a ser o craque do time adversário e fazer livremente a tabelinha com a impunidade. Ela não pode impedir que um pai leve seu filho a um estádio de futebol para assistir aquele clássico. E hoje ela impede.

Hoje, o torcedor comum, que é maioria, escolhe o jogo para assistir. E geralmente decide ir ao estádio para ver pelejas em que sua torcida é quase a única presente. O problema é que jogos assim não são os principais. Pelo contrário! Costumam ser jogos de nível técnico inferior, que não funcionam como propaganda do esporte.

No fim das contas, além de o pai não conseguir passar sua paixão ao filho, por exemplo, o torcedor comum não consegue estabelecer vínculo com seu clube, o que afeta a arrecadação das bilheterias, o interesse pelo time, pelo campeonato, depreciando, inclusive, no fim dessa cadeia, até o valor do patrocínio da camisa da agremiação.

As propostas de Castilho, portanto, parecem razoáveis e possíveis de serem implementadas. A instalação de um “Juizado do Torcedor” daria peso, significação necessária para os atos cometidos por torcidas de futebol, acarretando inclusive alguma conscientização junto a quem se dispõe a ir a um jogo para fazer qualquer coisa, menos ver a partida.

É claro que é imprescindível prevenir, fiscalizar e punir, mas também é necessário conscientizar.

Ou seja, está claro que esse jogo está bem longe dos gramados e passa não apenas pelo aparato de repressão, mas também pela educação. Portanto, de um jeito ou de outro, a bola está, na verdade sempre esteve, com o Estado.