As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O adeus de Cuca

O treinador afirma, em pronunciamento, que gosta de montar elenco, time. E isso nem de longe aconteceu nesta segunda passagem à frente do Palmeiras, um clube que pode gastar confortavelmente, mas que precisa mesmo é economizar na ansiedade.

Maurício Capela

13 Outubro 2017 | 17h02

O pronunciamento foi rápido. Perto de 3 minutos. E o adeus de Cuca nesta segunda passagem no Palmeiras talvez não tenha fôlego para muito mais. Ainda que o treinador não tenha conseguido repetir a brilhante campanha de 2016 no clube, a segunda passagem reafirma o velho e surrado ditado popular: dinheiro nem sempre traz felicidade. Em outras palavras, a relação do binômio dinheiro e títulos nem sempre é perfeita no universo da bola.

O futebol, ainda que repleto de estatísticas, números, fórmulas e esquemas de jogo, é um esporte que depende de conexão. É preciso haver empatia, simpatia e até antipatia, cada qual na sua necessária dose.

Trocando em miúdos, sem identificação entre elenco, técnico e torcida, o fracasso é certeiro. E pouco importa se é Pep Guardiola, Tite ou o treinador da categoria de base, é preciso ter a devida conexão, que só se constrói dia após dia, treino após treino, jogo após jogo. E Cuca, elenco e torcida falavam cada qual um idioma.

Agora, Cuca continuará sendo o excelente treinador que é. Campeão, inovador, estrategista e detalhista. E isso ficou ainda mais claro, depois do pronunciamento. Em uma das últimas frases ditas, o agora ex-treinador do Palmeiras revelou que gosta de montar elencos. E talvez resida justamente aí o grande entrave dessa segunda passagem.

Cuca herdou um time, um elenco. Não o montou. Não o configurou às crenças de jogo. Talvez, não consiga imaginar como tirar proveito melhor das peças que tem à mão. Talvez… E sem isso, de fato, torna-se  impossível construir a empatia, a simpatia e até a antipatia, todas necessárias, vale frisar.

Ao Palmeiras, cabe recorrer à memória… E lembrar de que o trabalho precisa ser contínuo ao longo da temporada, que o anseio em levantar a taça não pode estar em primeiro lugar e que a pressão da torcida é inerente ao processo, ou seja, vai acontecer com time bom ou ruim.

O que fica deste ponto final é que, muitas vezes, ser campeão é consequência e não objetivo. Então, ser campeão deriva do acerto fino entre boas contratações, diversidade de elenco, clareza quanto às prioridades e sangue frio na hora do aperto. Mas tudo… Tudo mesmo a serviço de uma filosofia de trabalho e não à mão do acaso. É tempo, Palmeiras, de reflexão e não de cobrança.

Mais conteúdo sobre:

TreinadorPalmeirasCuca