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O futebol não está imune ao terrorismo

A eventual explosão de um ônibus de um clube de futebol na Liga do Campeões traria a maior competição de times do mundo para o tabuleiro do terrorismo.

Maurício Capela

12 Abril 2017 | 16h25

A explosão em Dortmund, na Alemanha, foi bem longe daqui. Alguns milhares de quilômetros, um punhado de horas à frente e em um campeonato, onde clube brasileiro algum coloca as chuteiras. Mas os efeitos desse ato estão longe de ficar restrito ao mundo da competente Liga dos Campeões da Europa.

A escalada terrorista mundo afora notadamente é crescente. Mas de uns tempos para cá, coisa de dois ou três anos, depois que a humanidade se viu obrigada a assistir o ataque aos atletas de Israel nos Jogos Olímpicos de 1972, o esporte havia ganhado certa imunidade. Uma sensação que, hoje, não passa de miragem.

Se o ataque nos arredores do Stade de France em 2015, durante partida amistosa entre França e Alemanha, não foi suficiente para perceber que a tal imunidade não passa de ilusão de ótica, a ofensiva em Dortmund talvez funcione como algo definitivo.

O ônibus do Borussia Dortmund potencialmente poderia ter sido mandado pelos ares, e com ele um time inteiro. E a questão nem é se os jogadores são badalados ou não, se são de seleções ou não, o ponto é a simbologia da ofensiva. Em outras palavras, a explosão do ônibus de um time alemão na Liga dragaria o esporte mais popular do planeta para o tabuleiro do terrorismo e, de quebra, arrastaria a competição de clubes mais emblemática do mundo, a Champions League.

A Liga dos Campeões da Europa, bem como a Liga Europa, não se circunscrevem somente ao jogo. São verdadeiros eventos de integração europeia. Torcedores, alguns violentos, é verdade, se movem pelo Velho Continente acompanhando a equipe de coração, mas dinamizando comércio, turismo e cultura entre os povos daquele pedaço do mundo.

Além disso, atingir um confronto entre franceses e alemães, em tese, é alcançar as duas principais nações da zona do Euro. E manter a Europa sob tensão.

O resultado, claro, seria e será um aumento imediato da vigilância. Mas no longo prazo ajuda a espalhar o sentimento antieuropeu em um momento de eleição presidencial na França, de saída do Reino Unido, de discussão se mantém ou não a recepção aos refugiados.

Portanto, o que esteve em jogo em Dortmund não foi um ataque ao Borussia. Foi a simbologia de que nem mesmo os craques badalados e globais estão imunes à ofensiva. E nesse jogo, a xenofobia encontra terreno fértil para se manter competitiva frente a igualdade, fraternidade e liberdade.

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