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São Paulo e o “abismo” dos três pontos do Z-4

O São Paulo tem atuado tão mal, que é mais fácil o Grêmio tirar a diferença de oito pontos do líder Corinthians do que o Tricolor conseguir vencer e ultrapassar a Ponte Preta, que ocupa hoje a 16a. colocação.

Maurício Capela

17 Julho 2017 | 15h09

A tabela é clara. E os pontos conquistados também. O São Paulo, ao cabo da 15a. rodada do Brasileiro de 2017, está imerso na zona de rebaixamento e mostra pouco ânimo para se safar dela.

É claro que míseros três pontos, ou seja, uma vitória, distanciam o Tricolor do nirvana, a sonhada e desejada 16a. posição, a primeira fora da desconfortável zona de descenso do campeonato.

É um bom número, não resta dúvida, mas quando se olha para o tipo de jogo executado dentro das quatro linhas, a sensação é: parece ser mais fácil o Grêmio tirar os oito pontos de diferença para o líder Corinthians do que o São Paulo eliminar o “abismo” de três pontos da Ponte Preta, a atual décima sexta colocada.

No entanto, não é de hoje que o São Paulo flerta com a zona de descenso. Já “namorou” algumas vezes e, em uma delas, a coisa parecia que teria um final infeliz para a torcida do clube da Fé. E olha que não faltou fé, principalmente depois que o salvador da pátria da vez, o técnico Muricy Ramalho, resolveu encarar o desafio, isso em 2013, tirando o clube da zona do rebaixamento.


Mas dessa vez haveria salvador da pátria? Dorival Júnior reúne condições de exercer esse difícil papel?

Muito embora o técnico tenha relevância no processo, é preciso levar em conta os últimos anos de gestão no São Paulo. De longe, a sensação é que o Tricolor deixou de aglutinar seus pares, como bem fez no começo dos anos 80, elevando o time à condição de máquina de faturar títulos, e vive hoje um processo aparente de contínua disputa pelo poder.

 

Mas só essa disputa também não seria suficiente para colocar o time em um nível tão delicado. O clube tem errado na compra e venda de jogadores. Negocia ótimos valores da categoria de base e repõe mal as saídas desses atletas.

Portanto, é uma combinação de fatores. E apesar de Dorival Júnior, por outro lado, reunir bons predicados para tirar o time dessa posição desconfortável, há o senão da qualidade técnica do elenco.

Mas como é conhecido por ser  o clube da fé, o São Paulo, de fato, ainda pode contar com ela, uma vez que o campeonato ainda lhe oferece chance de recuperação. Em outras palavras, aqueles times, que tradicionalmente brigam para se manter na primeira divisão, ainda têm pontuação muito próxima ao do São Paulo. Ou seja, não há ninguém dos candidatos naturais se desgarrando da zona de rebaixamento até o momento. E é aí que moram as preces tricolores.