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Valdivia e a magia das palavras

Com contrato até agosto deste ano com o Palmeiras, jogador usa as redes sociais para se posicionar sobre as negociações e, em certa medida, transfere a responsabilidade de um acordo para a direção do clube.

Maurício Capela

10 Março 2015 | 15h36

Jorge Valdivia rompeu o silêncio. E entrou no campo das redes sociais, disposto a construir suas postagens, uma a uma, a respeito de renovação contratual, salários, contusão e imprensa em uma boa tabela entre letra e raciocínio que não deixa dúvidas a respeito de seu estado de espírito. O craque do Palmeiras e ídolo do clube nos últimos anos está descontente.

Valdivia, claro, tem todo o direito de se pronunciar do jeito e da forma que entender. Aliás, é uma prerrogativa de qualquer cidadão que vive em um país democrático, e felizmente este é o caso do Brasil.

Portanto, é preciso olhar com critério e contextualização o que disse Valdivia. Lesionado desde o fim de 2014, o jogador tem contrato com o clube até agosto próximo. E pelas declarações do atleta, a negociação nem entrou em processo de aquecimento.

O fato é que pela legislação atual, Valdivia já poderia, em tese, ter assinado um pré-vínculo com qualquer outra equipe do Brasil e do exterior. Algo, inclusive, que o craque alviverde repele ao afirmar que jamais vestirá outra camisa no País que não seja a do Palmeiras.

Sinceramente, vestir outra camisa ou não no Brasil, não deveria chamar tanto a atenção. Só chama, porque o futebol brasileiro prima pelo emocional em detrimento da racionalidade.

Ora! Valdivia é jogador profissional de futebol e caso não renove com o Palmeiras, obviamente vai continuar exercendo seu ofício em algum outro canto do País ou do mundo. É tão simples quanto!

Além disso, salário é uma prerrogativa de negociação entre clube e jogador. Não é de interesse público. Beira, na verdade, o interessante para o público. Até porque quando se joga em clube grande naturalmente os vencimentos ganham muitos zeros à direita. Não é novidade!

O que precisa ficar claro para o torcedor do Palmeiras nesse emaranhado de declarações é se o jogador reúne, de fato, condições físicas para continuar envergando a camisa do clube, uma vez que sua qualidade técnica é indiscutível. E mais.

Entender se essa condição física vai permitir que Valdivia atue em boa parte da temporada 2015. Porque essa é a conta que interessa: custo do contrato versus o retorno técnico, midiático que um jogador desse porte é capaz de trazer.

Talvez o Palmeiras já tenha feito essa conta. Ajustado números dali e daqui. Mas se fez e pelo tempo de contrato restante, então, não faz o menor sentido adiar uma renovação ou não, uma vez que não há como faturar centavo algum com os direitos econômicos. Pelo contrário!

Manter Valdivia até o fim do contrato, sem querer ficar com ele por mais tempo, só vai dar chance ao “Sobrenatural de Almeida” entrar em cena, diria certamente Nelson Rodrigues.

Sim, porque ter um jogador desse nível e não utilizar, significa dar chance para que na primeira crise técnica dentro de campo, a torcida encha os pulmões e cante o nome do craque na arena. O que tratando-se de Palmeiras será como acender um fósforo em um quarto repleto de pólvora.

Portanto, seria interessante colocar a emoção no banco de reservas. E se for o caso, apertar a mão do jogador, dizer “muito obrigado e até um dia” e tocar a vida adiante.

Hoje, o Palmeiras está na ascendente. O ambiente é bom, a torcida na arena tem contribuído, e os reforços começam a dar o tom. Ou seja, a perspectiva é positiva.

Em outras palavras, não é hora do sangue italiano ferver, mas sim da racionalidade dos gestores entrar em campo e colocar um ponto final, seja lá qual for, no assunto Valdivia. Esticar a novela, é certo, não é interessante ao Palmeiras. E como o jogador já demonstrou por meio de suas declarações, também não lhe apetece.