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Geuvânio

Geuvânio deixa o Santos. É mais um que se vai atraído pela grana chinesa. Do ponto de vista do jogador, é um bom negócio, irrecusável. Da perspectiva do futebol brasileiro, trata-se de uma derrota. Uma goleada. Vem mais por aí.

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Luiz Zanin

22 Janeiro 2016 | 19h57

 

Hoje foi a despedida de Geuvânio. Como tantos outros, vai para a China. O Santos também não resistiu ao assédio e vendeu um dos seus mais promissores talentos. Pena.

Pena também para tantos outros que se foram, como os do Corinthians. O processo parece – e é – inevitável. A força da grana chinesa associada à fraqueza da economia brasileira. Não tem conversa. O jogador não é bobo. Sabe o preço que vai pagar atuando em um país tão atrasado ainda eÉ cm termos de futebol. Vão andar para trás. Os que estão na seleção, talvez deixem ser convocados. Vão involuir, do ponto de vista técnico. Jogando em nível inferior, a tendência é sempre piorar. É como a gente, qualquer que seja a nossa profissão. Trabalhando em nível menor, com expectativas mais baixas, a tendência é deixar de progredir. E, claro, voltar para trás.

Sim, mas e a grana? Como resistir a ofertas várias vezes superiores do que o que se recebe atualmente? Não tem conversa.  Não é um aumentozinho banal. É coisa de cinco, dez vezes mais.

Do ponto de vista do jogador, não há o que discutir. Mesmo correndo risco de retrocesso profissional, o retorno vale. Ainda mais se ficarem dois, três anos, no máximo. Dá tempo de fazer um pé de meia legal. Depois voltar, ou prosseguir a vida num centro futebolístico mais adiantado.

No entanto, do ponto de vista do futebol brasileiro, mais esta sangria é uma grave derrota. Significa que não temos mais ambiente econômico nem para os jogadores medianos a que nos íamos acostumando. Os craques e mesmo os meramente bons já haviam ido. Alguns retornavam quando não tinham mais mercado fora. Ou quando ficavam velhos demais para atrair atenção nos centros mais badalados. Quem agora ficará?

Sentimos vontade de dizer que o futebol brasileiro bateu no fundo do poço. Mas será verdade?

O fundo do poço já terá chegado ou estará ainda à nossa espera?

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