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O que adianta torcer contra ou a favor de Messi?

É o pensamento mágico que nos faz achar que a nossa torcida pró ou contra influencia alguma coisa no que vai acontecer. Para ter Messi na Copa, basta a Argentina colaborar com o craque

Luiz Zanin Oricchio

09 Outubro 2017 | 12h03

 

Dizem que o Brasil é o país do Fla-Flu. Ah, tomara as nossas polarizações tivessem a elegância de um Flamengo x Fluminense com Maracanã lotado…Acho que nossas polarizações estão mais para briga de foice no escuro, cada um por si e Deus contra todos. Coisa feia, para resumir.

Mas, enfim, há mais uma polarização à vista, esta no domínio do futebol e divide os que torcem pela eliminação da Argentina da Copa do Mundo da Rússia e os que torcem a favor. Sem ficar no muro, o argumento de ambas as partes me parece sólido. De um lado, seria ótimo ver o arquirrival simplesmente eliminado de antemão, sem sequer chegar à Rússia. De outro, há os que entendem que uma Copa sem a Argentina, e, em especial, sem Messi, não teria a mesma graça. Por um lado, o prazer de secar o rival. Por outro, o interesse da arte, na presença de um dos melhores jogadores do mundo em campo.

Esclareço que para mim tanto faz. Uma Copa é sempre uma Copa e tem atrativos à beça, mesmo sem este ou aquele craque, com ou sem uma das seleções eternamente favoritas. Se as Copas já não têm (pelo menos para mim e para um bocado de gente que conheço) aquela aura mágica de outros tempos, é sempre um superespetáculo de futebol. Como foi a “nossa” Copa, a de 2014, em que pese a vergonha histórica imposta pela seleção brasileira ao país.

Mas o que me chama a atenção é a seriedade com que essa torcida pró ou contra é tratada. No fundo compreendo. Cronistas e jornalistas, por mais que tentem ser racionais, são sempre, no fundo, reflexos dos torcedores que foram na infância e que, lá no fundo da alma, ainda são. Há algo infantil no futebol e esta, deixo claro, é uma das suas melhores qualidades, a meu ver.

Assim, os nossos queridos cronistas parecem atribuir, no fundo, virtudes mágicas à força de sua torcida que, no fundo, é apenas uma formulação de desejo. Como se este pudesse influir na realidade…

Para Messi estar na Copa não basta a nossa torcida a favor (assim como para não estar, a nossa torcida contra não é suficiente). Será preciso que jogue contra o Equador com a mesma vontade que exibiu no jogo contra o Peru, mas que tenha um time a ajudá-lo. Afinal, futebol é esporte de equipe. E Messi é o brilho, o craque, o isso ou aquilo, mas, afinal de contas, é um dos onze que entram em campo para começar a partida. Sem os outros, não faz milagres.

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