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O Santos vai bem na Libertadores mas o mistério da Vila permanece

Luiz Zanin Oricchio

05 Maio 2017 | 18h22

O Santos foi bem, mas não apenas porque ganhou. Verdade, voltou a apresentar erros, em especial na defesa. Os dois gols colombianos foram de falhas do setor defensivo.

Mas o Peixe teve méritos e pressionou bastante o adversário. Dessa pressão constante vieram os três gols, em particular o terceiro, do zagueiro Lucas Verissimo, quando o empate já parecia inevitável.

Vi nisso tudo uma mudança de disposição do time, que às vezes me parecia meio desanimado e incapaz de enfrentar situações adversas. Apostava tudo na posse de bola mas, muitas vezes, se tornava estéril e monótono, incapaz de uma jogada surpreendente.

Neste jogo da Libertadores, esteve duas vezes em vantagem contra o Santa Fé e nas duas, por falhas, cedeu empate. Mas não se conformou e foi à luta. Num desses lances teimosos, a bola sobrou para Verissimo marcar seu primeiro gol como profissional. E deixar seu time em primeiro no grupo.

Foi uma vitória dessas que dão têmpera a um time. E, outra coisa, os ujogadores foram incentivados pela torcida o tempo todo – e sob chuva, no segundo tempo. Foi uma partida com clima de Libertadores – e isso é um elogio.

O jogo, como se sabe, foi no Pacaembu, o que sempre levanta polêmica na Baixada. O time é de Santos, diz uma facção, e deve jogar em seu campo, na mítica Vila Belmiro. O argumento contrário tem também suas razões. Em São Paulo há mais público e a torcida da Capital tem direito a ver seu time. Além do mais, faz parte da tradição do Santos jogar fora de sua cidade como mandante. Lembremos que os títulos mundiais foram decididos no Maracanã.

Dito isso, reconheça-se: a Vila é a Vila. Insubstituível.

Mas há um argumento que tem sido irrespondível – a Vila tem recebido públicos muito pequenos. Se o time é da cidade, por que a cidade não o prestigia?

Na véspera de Santos x Santa Fé encontrei, em uma padaria, um ex-craque do Santos. Não digo o nome porque não tenho autorização para isso. Papeamos um pouco e comentei que o jogo ia ser em São Paulo. Ele me disse: “Lógico! Já temos 25 mil ingressos vendidos. Aqui são sempre os mesmos 5 ou 6 mil por jogo. Você vai à Vila e tem mais gente vendo o jogo nos bares na frente da televisão que dentro do estádio.”

Como não lhe dar razão? Talvez seja o preço alto a assustar as pessoas? Mas já fui a jogo com promoção, ingressos baratos e mesmo assim não lotou. Outro dia, sócio não pagava. Mesmo assim não encheu.

Será que as pessoas têm preguiça de ir ao campo? Sei lá. Acho que a diretoria deveria fazer uma pesquisa para entender o que acontece. Porque, francamente, a Vila Belmiro é o melhor estádio que existe para você assistir a uma partida de futebol, o que torna o fenômeno ainda mais misterioso.