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O sistema nervoso da Ponte a traiu

Luiz Zanin Oricchio

01 Maio 2017 | 20h41

Difícil dominar todas as variáveis do futebol; por isso mesmo as previsões costumam derrubar todos os “videntes”, por experientes que sejam. Aliás, quem é experiente mesmo não faz previsões em futebol. Sabe que é o caminho mais curto para quebrar a cara.

Enfim, quem poderia adivinhar que a Ponte tomaria um baile do Corinthians no primeiro jogo da decisão? Que tivesse dificuldades para vencer, vá lá. Não é fácil mesmo fazer gol nessa defesa do Corinthians. Um empate seria aceitável. Mesmo uma derrota por placar mínimo.

Agora, um 3 a 0 logo de cara? E sem ter feito nada para merecer placar diferente? Isso depois de, na sequência, eliminar dois grandes, Santos e Palmeiras – este com o mais badalado elenco do futebol brasileiro? Não vi ninguém apostar numa quase goleada do Corinthians. Mas ela aconteceu.

E, digam o que disserem, o título de 2017 já está quase decidido. Digo “quase” para não me contradizer. Afinal, impossível é palavra que não existe no jogo da bola. Agora, que é pra lá de difícil a Ponte reverter esse placar, ainda mais jogando na casa do adversário, diante da Fiel, isso ninguém duvida. Nem o próprio pessoal da Ponte.

O que aconteceu no primeiro jogo, afinal? Eu diria, sem muito medo de errar: o sistema nervoso da Ponte a traiu. Quando viu o adversário do outro lado e pensou que teria de passar por ele para sair da fila centenária, tremeu. Deve ter lembrado da ancestral decisão de 1977, quando os atuais jogadores nem eram nascidos. Mas sabe como é a tradição – ela passa de uma geração a outra. Isso pode ter minado a confiança. Quem perde a confiança não joga. Ou joga muito aquém da sua capacidade.

Agora a vaca já foi para o brejo. Ou quase.