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Quando a Vila volta a ser alçapão

Com a vitória do Santos sobre o Corinthians o Campeonato Brasileiro voltou a ficar aberto

Luiz Zanin Oricchio

11 Setembro 2017 | 11h21

 

Ontem vi a Vila Belmiro de volta à sua condição de origem – um caldeirão, panela de pressão a cozinhar a cabeça dos adversários.

Nos últimos tempos, o Santos andava tímido jogando em casa. Muito frio e burocrático. Ontem fez valer a sua condição de mandante e honrou seu centenário estádio, no qual, convém lembrar, jogaram Pelé e tantos outros craques.

Como Dorval, com quem encontramos após o jogo. Resmungão, ele achou que o Santos deveria ter goleado: “uns 4 ou 5 não seriam demais”, disse. Para quem não se lembra, ele é o primeiro nome, o ponta-direita do maior ataque de todos os tempos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. A linha dos Sonhos, todos eles, por sorte, ainda entre nós.


Bem, chega de saudade. O fato é que o novo Santos, o de Levir Culpi, deixou um pouco de lado o estilo de Dorival Jr., que priorizava a posse de bola, e passou a atuar com mais velocidade, apostando muito no contra-ataque.

Uma coisa não exclui a outra. Há momentos para contra-atacar, “chamando” o adversário para o seu campo e tentando sair em velocidade, com a bola recuperada. E há momentos para trocar passes.

Acho que o Santos desenvolveu bem o seu jogo, com o defeito de concentrar as ações pelo lado direito, esquecendo de Bruno Henrique e seu incrível talento nas arrancadas pela esquerda. Isso foi corrigido na segunda etapa e, a meu ver, definiu o jogo.

Lucas Lima fez uma grande partida e reassumiu sua condição de maestro do time. Foi o melhor em campo, além de ter feito um gol, coisa que não acontecia havia meses. É um jogador cerebral, capaz de encontrar brechas nas defesas adversárias, lançar e conduzir a bola como poucos. O excesso de individualismo às vezes o atrapalha. Mas é jogador muito acima da média.

A vitória do Santos por 2 a 0 põe tempero no campeonato. O Corinthians ainda tem gordura, mas esta derreteu um pouco. Está sete pontos à frente do Grêmio e nove à frente do Santos.

É muita coisa. Mas parece perder um pouco daquela aura de imbatível do primeiro turno. Seu jogo me parece ainda sólido e perigoso, mas, ao que parece, os outros times já descobriram como enfrentar o alvinegro.

As próximas rodadas dirão se o Corinthians irá recuperar a estrutura do primeiro turno ou se oscilará na pontuação, como aliás o fazem os outros times. Nesse caso, precisará administrar muito bem o que lhe resta de vantagem.

De qualquer forma, o campeonato, que já parecia fechado, abriu-se. O futebol não tolera muito as previsões. Ri-se delas.