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CBHb precisa de R$ 8 milhões para garantir seleção no Mundial Feminino de Handebol

Demétrio Vecchioli

27 Março 2015 | 15h17

Alexandra

A seleção brasileira feminina de handebol corre o risco de ficar fora do Mundial da Dinamarca, em dezembro, e não poder brigar pelo bicampeonato, caso o Brasil não consiga realizar o Mundial Masculino Júnior, entre julho e agosto. Para garantir o torneio e não ser ameaçado de sofrer sanções financeiras e esportivas da Federação Internacional de Handebol (IHF, na sigla em inglês), a Confederação Brasileira (CBHb) precisa levantar R$ 8 milhões junto ao poder público. A entidade nacional ainda tem débitos com a IHF pelo empréstimo de 3 milhões de francos suíços, tomado em 2011, para organizar o Mundial Feminino em São Paulo.

Inicialmente previsto para acontecer no Rio Grande do Sul, o Mundial Masculino Júnior foi transferido para o Triângulo Mineiro, após o governo gaúcho não reconhecer uma destinação de R$ 2 milhões que teria sido prometida pela administração anterior – outros R$ 4,5 milhões seriam captados pela lei gaúcha de incentivo ao esporte, o PróEsporte.

“O governo não tem esses R$ 2 milhões. Não tem documentos que provassem esses R$ 2 milhões a mais. A gente disponibilizou R$ 4,5 milhões e eles queriam um extra ainda. Eles (a CBHb) dizem que foi feito um acerto no ano passado, mas nunca mostraram nenhum papel dizendo para que seriam os R$ 2 milhões”, argumenta o diretor da Secretaria de Esporte do Rio Grande do Sul, o campeão olímpico de vôlei Paulão.

De acordo com Manoel Luiz de Oliveira, presidente da CBHb, além dos R$ 2 milhões do governo estadual, a CBHb contava com recursos das prefeituras de Caxias do Sul, Campo Bom, Farroupilha e Santa Maria, as quatro cidades onde aconteceria o Mundial. Paulão argumenta que os municípios só se comprometeram em disponibilizar ginásios.

Diante da negativa do governo gaúcho, a entidade buscou outra sede para o torneio e se acertou com as cidades mineiras de Uberaba e Uberlândia, que concordaram em ceder ginásios, mas negam que destinarão recursos. Segundo o prefeito de Uberlândia, Gilmar Machado, seu governo não fará nenhum investimento financeiro.

A previsão era que o Mundial custasse R$ 12 milhões no Rio Grande do Sul – “Para não faltar depois”, argumenta o presidente da CBHb. Em Minas, o valor caiu para R$ 8 milhões. “Aqui o hotel é mais barato. Um rodízio de churrasco, que você paga R$ 40 em São Paulo, sai por R$ 25”, alega o prefeito de Uberlândia. “Até a internet é mais barata”, completa Oliveira.

A CBHb conta que o governo de Minas Gerais destine R$ 3 milhões para o Mundial, ainda que o secretário de Esportes de Minas Gerais, Carlos Henrique (RPB), tenha afirmado à reportagem que “ainda não existe um estudo total definitivo” sobre os valores. O valor é inferior aos R$ 6,5 milhões exigidos do Rio Grande do Sul.

O restante do valor seria pago pelo Ministério do Esporte, contrariando uma diretriz que vigorou nos últimos anos. A pasta vinha defendendo, e cobrando das confederações, que não se propusessem para organizar eventos internacionais no País até a Olimpíada, para que os recursos – e os esforços – da pasta fossem destinados à preparação dos atletas para os Jogos.

Questionado, o Ministério do Esporte alega que foi procurado pela CBHb e “está estudando a melhor forma de apoiar a realização do evento, tendo em vista a impossibilidade manifestada pelo governo do Rio Grande do Sul”. Paulão, porém, é taxativo: “Em nenhum momento abriria mão de um Mundial aqui. A gente sabe que R$ 4,5 milhões era o suficiente, mas queriam esse ‘up’ financeiro que nós não temos”.

ANTECEDENTES – Em 2013, a seleção brasileira masculina júnior chegou a ser excluída temporariamente do Mundial da categoria porque a CBHb não havia cumprido o cronograma proposto para quitar o empréstimo de 3 milhões de francos suíços (cerca de R$ 7 milhões à época), feito junto à IHF para conseguir organizar o Mundial de 2011. Na ocasião, a competição estava prevista para acontecer em Santa Catarina, que não conseguiu se preparar. São Paulo se dispôs a ceder seus ginásios – a fase final foi no Ibirapuera -, mas coube à CBHb arcar com os demais gastos.

“Temos até 2020, 2030 para pagar (o Mundial de 2011)”, garante Oliveira, que diz não saber ao certo qual o valor que sua confederação deve para a IHF. Na época, além dos R$ 7 milhões em empréstimo, a CBHb conseguiu um convênio com o Ministério do Esporte, de R$ 6 milhões, para realizar o Mundial.