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Igreja vai ao MP por supostas fraudes em convênio com a Prefeitura de SP

Demétrio Vecchioli

17 Março 2015 | 18h16

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A Igreja Bola de Neve acionou o Ministério Público de São Paulo para denunciar supostas irregularidades na realização da “Copa dos Bolas”, torneio de futebol society destinado a fiéis da igreja, entre agosto e setembro do ano passado. Segundo documentos obtidos pelo Olimpílulas, a organização do torneio seria feita pelo Instituto Paulista de Arte e Música (IPARTE), que firmou convênio de R$ 136 mil com a Secretaria Municipal de Esportes (SEME) para esta finalidade. Mas, segundo a denúncia da Bola de Neve, o instituto não se envolveu com a realização do evento.

“A Igreja Bola de Neve desconhece o trabalho realizado pelo IPARTE e declara que nunca contratou tal entidade ou teve qualquer contato com o seu presidente”, escreve a Bola de Neve, em referência a Daniel Augusto Marcondes de Oliveira. O IPARTE também tem na diretoria os pais de Daniel e a entidade fica na casa da família, no Butantã, zona oeste de São Paulo. A reportagem procurou o instituto, mas ninguém atendeu às ligações no telefone que consta nos contratos firmados com a prefeitura.

Na quinta-feira, o Olimpílulas, mostrou que a Copa dos Bolas aconteceu em cinco noites de sexta-feira, nas quadras de futebol society do Clube Nacional, também na zona oeste. Conforme notas apresentadas à prefeitura, o IPARTE recebeu recursos para pagamento de despesas de gerador (R$ 4,2 mil), tendas de apoio (R$ 1,5 mil), vans para transporte dos atletas (R$ 4 mil), bolas (R$ 1.275), lanches para os atletas todos os dias (R$ 12,9 mil), kit de alimentação para árbitros (R$ 1,4 mil), água, isotônico e frutas (R$ 3,8 mil). Cada um dos 1.200 lanches (2 unidades de pão francês com “recheio proteico”, um suco e uma fruta) custou R$ 10,75 à Prefeitura.

De acordo com Claudio Spirandelli Filho, o Claudinho, que fez a divulgação da Copa dos Bolas entre as células da igreja, ele nunca “ tinha ouvido falar desse IPARTE”, até a reportagem feita pelo blog. Ele acrescentou que, com exceção das bolas, nenhum dos itens citados nos documentos apresentados à Prefeitura foi utilizado no torneio: “Não tinha gerador, tenda, transporte, alimentação, nada disso”.

Claudinho informou que esta edição da Copa dos Bolas teria sido organizada por Paulo Tognasini, ligado ao clube Nacional, que também organizou outras duas edições, e por Nilson Romera, dono da Arena WS, onde ocorreu o torneio. “Cada atleta pagou R$ 80 diretamente ao Nilson e à secretária dele, na secretaria da Arena”, garante Claudinho.

A legislação municipal proíbe a cobrança de taxa de inscrição em eventos realizados com verbas de convênios da SEME. Romera, proprietário da Arena WS, nega ter envolvimento com a organização de evento e diz que só alugou as quadras para Tognasini, que não foi localizado.

O evento foi fiscalizado e aprovado pela secretaria, conforme documento obtido pela reportagem, e aprovado pela SEME. A prefeitura já abriu auditoria nos convênios firmados pela secretaria nos últimos dois anos e exonerou o responsável pelo setor, Siderval Marques Brito.