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Lista para Mundial de Vôlei de Praia cria polêmica e pode mudar vaga olímpica

Demétrio Vecchioli

23 Março 2015 | 10h53

Nota atualizada às 14h39, com informações sobre a etapa final do Circuito Brasileiro

A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) anunciou na última sexta-feira a lista de duplas inscritas para o Campeonato Mundial, que só vai acontecer em junho, e surpreendeu ao incluir Fernanda Berti/Taiana entre os quatro times femininos brasileiros, deixando de fora Maria Clara/Carol. As irmãs cariocas, que ocupam o terceiro lugar no ranking do Circuito Brasileiro, foram pegas de surpresa com a escolha e agora cobram mudanças nos critérios do ranking olímpico brasileiro.

“No Mundial, a pontuação é dobrada, vale o mesmo que duas etapas de Grand Slam. É uma pontuação muito alta. O esporte, o bom dele, é que não tem subjetividade: quem é melhor vai lá e vence. Mas a gente tem que ter as mesmas condições de brigar pela vaga olímpica”, argumenta Isabel, mãe e técnica de Maria Clara e Carol. O Mundial vale 1.000 pontos ao campeão. Uma etapa de Grand Slam, 800.

A mesma situação ocorre no masculino. Líderes do Circuito Brasileiro a uma etapa do fim do torneio, Bruno e Hevaldo podem garantir participação em todas as etapas do Circuito Mundial, mas não poderão jogar o Mundial, torneio mais valioso no ranking olímpico.

A Confederação Brasileira de Vôlei admite o problema, tanto que  Franco Neto (gerente de seleções) e Fúlvio Danilas (diretor de vôlei de praia) terão reuniões durante essa semana e podem retirar o Mundial da lista de eventos que somam pontos para o ranking olímpico brasileiro.

“A prioridade da CBV é ter a melhor representação possível nos Jogos Olímpicos do Rio e, consequentemente, a melhor chance possível de medalhas para o Brasil. Para isso, adotamos critérios justos e transparentes. Caso seja identificado que algum critério não atende aos objetivos acima, poderão ser revistos. Mas sempre considerando que qualquer mudança requer tempo para que as equipes façam ajustes na sua preparação sem que isso cause prejuízo às chances de classificação”, diz a entidade, em nota ao blog.

ENTENDA – Antes do início da atual temporada do Circuito Brasileiro (que acaba no próximo fim de semana, em Salvador), a CBV definiu os critérios de escolha dos times que disputariam o Circuito Mundial de 2015. Têm vaga garantida a melhor dupla de 2014 (no feminino, Juliana/Maria Elisa), a campeã do Circuito Brasileiro (Talita/Larissa) e uma terceira parceria, por índice técnico (via de regra, a dupla segunda colocada do Circuito Brasileiro). Maria Clara/Carol e Ágatha Bárbara/Seixas disputam essa terceira vaga.

Os critérios utilizados pela FIVB para a escolha das quatro duplas do Mundial, entretanto, foram diferentes: valeu a soma dos resultados do Circuito Mundial de 2014, quando Taiana e Fernanda Berti tiveram desempenho melhor do que Maria Clara e Carol – as duas irmãs, em má fase, chegaram a se separar, mas refizeram a dupla no fim do ano.

Diferente do Circuito, que vai voltar a ter country cota (diversas duplas brasileiras podem se inscrever e disputar a vaga do Brasil no qualifying), o Mundial não permite inscrições extras. Isso significa que só as quatro duplas anunciadas na sexta-feira vão poder brigar pelos pontos do torneio. Maria Clara/Carol e Bruno/Hevaldo estão fora.

O Brasil terá duas vagas em cada naipe nos Jogos do Rio/2016. Pelos critérios escolhidos pela CBV, serão considerados os oito melhores resultados dentre 10 torneios (cinco Grand Slam, quatro Majors e o Mundial), todos de 2015. A melhor dupla masculina e a melhor feminina vão à Olimpíada. A segunda vaga será apontada pela CBV, mas a preferência é para a segunda dupla desse ranking.

MASCULINO – Entre os homens, o problema é mais complexo. Isso porque só uma das quatro duplas brasileiras que vai ao Mundial participou de todo o Circuito Brasileiro: Ricardo/Emanuel. Alison/Bruno Schmidt tiveram que lidar com lesões do “Mamute”, enquanto Pedro Solberg/Evandro e Álvaro Filho/Vitor Felipe trocaram de parceiros. Por isso, o resultado geral do Circuito não reflete necessariamente o momento da disputa.

Hoje, só Alison/Bruno, melhor dupla da temporada passada, tem vaga garantida no Circuito Mundial. Ricardo/Emanuel disputa o título do Circuito Brasileiro com Bruno/Hevaldo, com vantagem, porque os rivais têm que descartar um resultado, o que os campeões olímpicos já fizeram por não terem jogado uma das etapas.

Se Ricardo e Emanuel vencerem, jogam o Circuito Mundial e deixam em aberto a terceira vaga para a CBV escolher – aí, ela pode optar por Pedro/Evandro, por exemplo, preterindo Bruno e Hevaldo, que estão com 36 e 35 anos, respectivamente, e não fizeram parte dos planos durante todo o ciclo olímpico.

Mas se Ricardo/Emanuel cair antes das quartas de final e Bruno/Hevaldo ficar com o título, estes terão garantida vaga em todas as etapas do Circuito Mundial. Aí a CBV teria só uma indicação para beneficiar três das quatro duplas nas quais apostou no ciclo olímpico.