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A queda anunciada de Enderson no Santos

Treinador paga caro por não valorizar o futebol da base do clube

Luiz Prosperi

05 Março 2015 | 13h33

A queda de Enderson Moreira estava anunciada. Treinador que trata as categorias de base com desdém não tem vida longa no Santos. É preciso, antes de tudo, ser um defensor da vivenda de onde, dizem os santistas, brotam os maiores talentos do futebol brasileiro. Bater de frente ou colocar a base em segundo plano é quase a morte. Enderson pagou esse preço.

Nos últimos dias, técnico insistiu nas severas críticas ao menino Gabriel, uma das promessas do Santos para ocupar o vácuo de Neymar, se é que alguém consegue ocupar esse espaço. Nas entrelinhas, disse que o menino era mascarado, que só ter potencial de nada adiantava, que era preciso se dedicar, ralar, correr atrás, aqueles conceitos que todo treinador medíocre costuma usar.

Enderson colocou em dúvida o futuro de Gabriel e, de quebra, em muitos garotos da base santista. E, para complicar, passou a elogiar o atacante Walter, do Fluminense, como se fosse a última maravilha da terra. Conhecido pelo excesso de peso e faro aguçado pelo gol, Walter tem em seu currículo uma boa passagem pelo Goiás e só. Aliás, foi jogador de Enderson no time goiano.

Entre o “gordinho” Valter e o menino Gabriel, a diretoria optou por proteger suas crias e sacrificar o treinador.

O técnico vai embora em um momento razoável do Santos no Campeonato Paulista.  Nada que apontasse um porto seguro no fim da temporada. Enderson Moreira não tinha mesmo cacife para tocar o barco. Precisa engordar seu currículo antes de assumir times de ponta.

Com a demissão do treinador, cabe ao Santos agora colocar a casa em ordem, desarrumada desde a saída de Neymar com um rastro de denúncias e equívocos.