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Brasileirão vira refém da audiência da TV

Clubes estudam volta do mata-mata em 2016. A Globo agradece

Luiz Prosperi

04 Março 2015 | 10h44

Clubes de futebol e TV Globo prometem discutir uma nova distribuição das cotas de transmissão dos jogos. Há um descontentamento geral entre os clubes com os valores pagos ao Corinthians e Flamengo, donos das maiores fatias do bolo. O Vasco, agora capitaneado mais uma vez por Eurico Miranda, promete vir com chumbo grosso.

Eurico não admite que o seu Vasco receba uma cota inferior à do Flamengo. Outros clubes também exigem um dinheirinho a mais da Globo. A emissora, de sua parte, não parece disposta a desembolsar mais do que já paga para ter os direitos de transmissão dos principais campeonatos do Brasil e da América do Sul.

A Globo anda assustada com queda vertiginosa da audiência com o futebol, em especial com as partidas exibidas às quartas-feiras no ridículo horário das 22h. Pagar mais aos clubes seria um despropósito.

Toda essa onda tem uma explicação óbvia: o dinheiro que vem das cotas da TV ainda é a maior receita dos clubes que, em situação financeira ruim, quase falidos, não têm de onde tirar dinheiro para honrar seus compromissos. Eles vivem pendurados na Globo e, não raro, antecipam suas cotas anuais.

Sem o dinheiro da TV, os clubes sofrem para sobreviver. Essa ciranda vem de longe. É o cachorro mordendo o rabo. Na maioria dos casos, é fruto da incompetência solene dos cartolas que não conseguem administrar os clubes sem se meter em dívidas colossais e negócios nebulosos.

Juntos, eles devem bilhões à Receita Federal e INSS, entre outras pendengas tributárias. Isso tudo sem falar das longas dívidas trabalhistas com funcionários, jogadores e treinadores. A incompetência, raríssimas exceções, é geral.

Os clubes descobriram há muito que não sobrevivem sem o dinheiro da televisão. E se acomodaram. Do outro lado da corda, a televisão também precisa do futebol para abocanhar uma grana alta do mercado publicitário.  Daí a volta da discussão de trocar os pontos corridos do Brasileirão pelo sistema mata-mata (eliminatório) que, na teoria, daria mais audiência. É o desespero.

Não há conflito de interesses. É falta de sintonia mesmo e uma maior clareza de que o futebol brasileiro tem outros caminhos a seguir do que a corrida pelo ralo filão de ouro que escorre das redes de TV.

Como esse dinheiro, mesmo sem cobrir todas as despesas, os clubes tocam suas vidas. Por isso, prometem esquentar a briga com Corinthians e Flamengo na busca pela igualdade das cotas e propor a volta do mata-mata. É a guerra sem causa. Todos estão na mesma trincheira atirando no pé.