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CBF vai matar o futebol brasileiro

Entidade tenta provar que está preocupada com a situação financeira dos clubes

Luiz Prosperi

10 Março 2015 | 12h19

Clubes com salários atrasados correm risco de perder pontos no Campeonato Brasileiro. A decisão é da CBF, com aprovação unânime dos clubes, e já está no regulamento da competição que começa em maio. Trata-se de uma medida política para esvaziar a proposta do Bom Senso FC (movimento dos jogadores) de incluir na Lei de Responsabilidade Fiscal a contrapartida de penalizar dirigentes e clubes que não honrarem seus compromissos (salários, pagamento de impostos e direitos trabalhistas, entre outros), o famoso fair play financeiro.

Com essa canetada, a CBF deu o recado ao governo que é ela quem comanda o futebol brasileiro. Seria ridículo não fosse trágico. De acordo com o novo regulamento, não cabe à CBF fiscalizar os clubes na questão do atraso salarial. A denúncia tem de partir do jogador que se sentir prejudicado por não receber o que tem direito a todo fim de mês. O atleta tem de apelar ao STJD que vai julgar se o clube tem de ser punido ou não.

Quem vai tirar pontos do clube mau pagador é o STJD e não a CBF, desde, é claro, que o jogador denuncie o atraso salarial.

Enquanto isso, as seleções da base continuam colecionando fracassos. Após o vexame da Sub-20 no Sul-Americano, que provocou a queda de toda a cúpula da base na CBF, a Sub-17 também vive dias de agonia no Sul-Americano. Venceu a Colômbia por 3 a 2 na estreia, derrotava o Paraguai por 2 a 0 e cedeu o empate, e nesta segunda-feira, batia a “poderosa” Venezuela por 2 a 0 e perdeu de virada por 3 a 2. Uma vergonha.

O que fez a CBF? Trocou o comando das categorias de base. Curioso nessa história é que Alexandre Gallo, o então todo-poderoso da base, era cotado a ser o sucessor de Felipão antes do 7 a 1. José Maria Marin, ainda presidente da CBF, enxergava em Gallo um revolucionário. Um ano depois, Gallo perdeu prestígio e ocupa apenas um mandato tampão como técnico da Sub-20 que vai disputar o Mundial em junho.

Na seleção profissional, apenas para não perder de vista, a CBF nomeou o ex-agente de jogador Gilmar Rinaldi para coordenador e deu a Dunga, fracassado em 2010, a chance de refazer sua carreira.

Pode ser coincidência, mas a seleção brasileira desceu de patamar. Não está no mesmo nível das grandes e ocupa solenemente um lugar entre o grupo intermediário do futebol mundial.