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Noite de sonhos na despedida de Alex

Jogo de adeus de um craque é uma volta ao tempo sem volta

Luiz Prosperi

29 Março 2015 | 00h09

Jogos de despedida de craques não poderiam acontecer. Alguém teria de dar um basta nesta festa. Sabe por quê? Simples. Esses jogos soam como uma covardia. Você sai da realidade e vive um sonho. E, quando volta ao normal, vem a frustração. Veja, por exemplo, a despedida de Alex neste sábado.

Uma constelação em campo. Jogadores que imantaram as torcidas. Craques que tratavam a bola como amada, às vezes amante, mas com respeito. Nenhum deles chutava a redonda com ódio, chutava como uma ode ao futebol. Esses caras tinham o poder de transformar pó em ouro. Cada centavo pago pelo ingresso do jogo era retribuído como se fosse uma montanha de dólares.

Agora, presta atenção. Vamos imaginar que nesses jogos de despedida fosse possível reunir os jogadores não como eles estão hoje e sim como eram num passado não tão remoto. Aí é hora de sonhar.

Na despedida de Alex neste sábado na imponente arena do Palmeiras tínhamos em campo o próprio Alex, o divino Ademir da Guia, o matador Evair, o animal Edmundo, o mágico Djalminha, o “melhor goleiro do Brasil”, Marcos, os coadjuvantes com peso de protagonistas como Zinho, Amoroso, Roque Júnior, Denilson, entre outros. No banco, Felipão comandando o Palestra e Zico, isso mesmo, o mito Zico, na condução dos “Amigos de Alex”.

Evidente que as pernas duras, algum pneu mais cheio na cintura, as calvas e o pulmão quase seco comprometem a genialidade de cada um. Mas, se num passe de mágica, todos eles pudessem adquirir a forma física de quando estavam na ativa como seria esse jogo de despedida? Da Guia no auge, o endiabrado Edmundo voando, Alex, Djalminha, Evair, Marcos… É bom parar por aí.

Todos eles estavam no campo. Mas com o fardo de carregar o peso da idade. Por isso soa como covardia um jogo de despedida de um craque ao lado de tantos craques. A realidade é inimiga de todos eles. O sonho, não. O sonho é do torcedor. Embala a noite. E que noite!