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Quem nasceu Neymar nunca vai ser Pelé

Não se mede a carreira de um jogador com números, régua e projeções.

Luiz Prosperi

26 Março 2015 | 16h15

Maradona já foi aclamado maior do que Pelé. Venceu o Rei em uma eleição fajuta da Fifa com voto dos internautas. Depois, entenderam que era impossível Dieguito ser maior do que Pelé, apesar da genialidade do argentino com a bola nos pés. Agora, a tese é de que Neymar pode superar Pelé. Não se sabe se na bola ou nas estatísticas.

Os chatos de plantão, especialistas em estatísticas do futebol, indicam que Neymar pode sim superar o Rei. A base dessa teoria é o aproveitamento do craque do Barcelona na seleção brasileira. Em 60 jogos (sem contar o desta quinta-feira com a França), Neymar cravou 42 gols. Pelé marcou 95 gols em 115 jogos.

Se seguir nessa toada, Neymar, que tem só 23 anos, pode sim desbancar o Rei nos próximos cinco anos. Teria ainda mais um bom tempo pela frente para engordar as estatísticas e deixar Pelé comendo poeira.

O problema nessa discussão não é o tamanho da façanha que Neymar pode produzir na seleção ao longo da sua carreira. Ronaldo Fenômeno, por exemplo, deixou Pelé para trás como maior artilheiro das Copas, com 15 gols – Pelé marcou 12. Ronaldo foi pulverizado por Miroslava Klose, o atacante espigado da Alemanha, que chegou ao 16.º gol justamente na Copa do Mundo do Brasil ano passado.

Número por número, Klose seria maior que Ronaldo e Pelé, mesmo com o pequeno repertório que o alemão tem com a bola nos pés.

Por isso, não vale a pena discutir quem vai ser maior do que Pelé. O Rei não precisaria nem da metade da sua coleção de gols na carreira para ser o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Bastaria seu brilho com a bola. Aliás, com a idade de Neymar, Pelé já era bicampeão mundial.

Neymar é um virtuoso, encantador de plateias e um inferno aos zagueiros. Tem vida longa no futebol, mas é quase impossível chegar no fim da estrada e ultrapassar o Rei.