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Seleção de Dunga vence e não encanta

Oito vitórias consecutivas reforçam o futebol burocrático do Brasil

Luiz Prosperi

29 Março 2015 | 14h16

Dunga engatou a oitava vitória consecutiva, desde que reassumiu a seleção em agosto do ano passado. Estatística importante e ao mesmo tempo reveladora. Os oito triunfos indicam que o Brasil já pode deixar a UTI depois do desastre na Copa do Mundo ano passado. Resultados positivos têm esse peso. Animam o paciente e apontam um novo rumo a ser seguido. A trilha está aberta. Mas nada animadora.

O opaco 1 a 0 diante do Chile neste domingo escancara a dura realidade da seleção. Era um amistoso em Londres e, mesmo assim, o Brasil fez quase quarenta faltas, contra 12 do adversário. A maioria dos jogadores de Dunga levou o cartão amarelo. Demos dois chutes a gol – um entrou, de Firmino com requinte de Ronaldo Fenômeno.

Mais um grave problema: a falta de bons reservas, desde, é claro, na visão de Dunga. Diante do Chile ele deu a sagrada camisa 9 a Luis Adriano. Cá entre nós, esse jogador só está na seleção por jogar no futebol europeu. Outro sem sal, esse Douglas Costa. E o que dizer do burocrata dos burocratas Souza, do São Paulo? Philipe Coutinho, reserva de quem se poderia esperar algo mais, ficou preso na ponta-esquerda a marcar o ala chileno. Inútil.

Quando os titulares entraram, o Brasil cresceu no seu esquema preferido: o contra-ataque. É pouco. Já não temos mais a posse de bola. O time é de um tédio sem precedentes.

Vitórias como as que Dunga tem colecionado revelam que o Brasil adotou mesmo o pragmatismo. Todos os jogadores são serventes do esquema. Impera a burocracia. Meias (Oscar e William) jogam nas pontas compondo a linha de quatro a proteger a linha também de quatro zagueiros. A eles não é permitido a criação. São soldados do contra-ataque. Quando não têm espaço, como no primeiro tempo no amistoso de quinta-feira contra a França, somem. Nesse caso, todas bolas são para Neymar. Mas quando o inimigo franqueia seu território, William e Oscar são fatais em sintonia com Neymar. Esse é o enredo de Dunga.

Tem gente que gosta. O futebol da seleção está cada vez mais pobre. Uma miséria acobertada por vitórias.