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Esportes » Não há ambição de ação sem financiamento, diz embaixador

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gabrielacupani

20 Junho 2012 | 18h50

Herton Escobar, enviado especial ao Rio

“Quem exige ambição de ação e não põe dinheiro na mesa está sendo no mínimo incoerente”, disse agora há pouco o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, que chefiou as negociações diplomáticas do Brasil na Rio+20. Foi uma resposta, em entrevista coletiva, às críticas feitas por representantes de vários países, que classificaram o documento aprovado ontem para a conferência de pouco ambicioso – apesar de terem concordado com ele no final. “Não se pode exigir ambição de ação se não houver ambição de financiamento”, disse Figueiredo. A falta de exigência de novos recursos financeiros para o desenvolvimento sustentável é apontada como um dos pontos mais fracos do documento.

Algumas horas antes, também em entrevista coletiva, até o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que gostaria de ter visto um documento mais ambicioso.

Diante de tantas expressões de descontentamento, a principal dúvida no Riocentro hoje era se o documento ainda poderia ser reaberto para mais negociações e eventuais modificações antes do fim da conferência. Figueiredo disse, enfaticamente, que não há essa possibilidade – apesar de ela existir “teoricamente”, já que o documento só será adotado formalmente na plenária final de sexta-feira. “Esse é o texto”, decretou Figueiredo. “Já foi negociado, já está fechado.”

Ban Ki-Moon não foi tão enfático em sua entrevista, dizendo que a decisão final sobre o documento seria dos países. “Essa é a resposta natural dele”, argumentou Figueiredo. “Ele é o secretário-geral da ONU. O papel dele é dizer que o que os países querem vai ser feito.”

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que também participou da coletiva, defendeu o documento, listando várias conquistas presentes no texto. Entre elas, o início do processo que levará à criação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a reafirmação dos princípios da Rio-92, em especial o das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. “Muitos países queriam rever legados de 1992”, afirmou. A Rio+20, segundo ela, é “uma conferência de partida, que define novos caminhos” para o desenvolvimento sustentável.

ABROLHOS. Izabella ressaltou também a atenção dada no texto ao tema dos oceanos. Em relação a isso, a reportagem do Estado questionou porque o Brasil não criava mais áreas de conservação marinha no País. Havia uma grande expectativa antes da conferência, por exemplo, de que novas áreas protegidas seriam criadas no Banco dos Abrolhos, entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Semanas antes da Rio+20, audiências públicas foram convocadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para debater um projeto de criação de uma rede de áreas protegidas na região, mas houve confusão e as audiências foram suspensas.

Izabella se irritou com a pergunta e disse que unidades marinhas serão criadas quando tiverem “estudos bem feitos” para justificá-las. “Projeto ruim não passa mais”, disse. Especificamente sobre Abrolhos, disse que os governos estaduais e outras instituições pediram estudos mais detalhados sobre os projetos.

“O Brasil se dedicou muito para ter uma referência a oceanos no documento”, defendeu a ministra. “Foi uma prioridade do Brasil (nas negociações).”

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