A prisão de Nuzman fecha o ciclo dos cartolas brasileiros envolvidos com o crime

É claro que tudo tem de ser provado e explicado para melhor entendimento dos brasileiros que amam esporte

Robson Morelli

05 Outubro 2017 | 10h19

A prisão do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, fecha o ciclo dos cartolas brasileiros envolvidos com falcatruas, mandos e desmandos no esporte nacional. É mais uma página vergonhosa da nossa história. É uma flechada no coração do torcedor, que se divertiu nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, torcendo e aplaudindo, dos atletas, que se prepararam num ciclo de quatro anos para apresentar o melhor, do próprio Rio de Janeiro e sua falência financeiro (no Rio, só sobram os cariocas) e de tudo mais o que envolve o chamado ‘espírito olímpico’ dos Jogos.

Nuzman e seus pares são acusados de queimar a largada da escolha do Brasil para sediar o evento. Pagou para ter votos. Foi, portanto, desleal. Os advogados de defesa do dirigente serão ouvidos. Tudo precisa ser provado. A acusação é dos procuradores da operação Lava Jato, chamada de Unfair Play. Nuzman foi preso na manhã desta quinta-feira, de terno e gravata cheio de pompa. Terá de se explicar na Justiça.

Não se ganha jogo roubando. Pelo menos não é assim que o torcedor esperava que seja. Melhor então era não ter sediado os Jogos. Além da possível compra de votos, o COB e o Comitê Olímpico têm dívidas a pagar com parceiros na ordem de R$ 120 milhões. Havia uma possibilidade de o COI assumir esse valor, uma vez que a prefeitura do Rio entende que tudo o que foi acordado e prometido, já foi quitado. Há dúvidas. Nuzman empregou muita gente nos Jogos do Rio e deve envergonhá-los agora. Há gente honesta nisso. Digo até que a maioria trabalhou ao seu lado acreditando nisso.

+ a trajetória de Nuzman

O fato é que Nuzman é mais um cartola a ficar atrás das grades, assim como outros do esporte brasileiro. Ricardo Teixeira e José Maria Marin, ambos com passagens pela CBF, estão enrolados, devendo e tendo de se explicar. Marin cumpre prisão domiciliar nos Estados Unidos. Gasto tudo que tem para se manter. Marco Polo del Nero, atual presidente da entidade, não pode deixar o Brasil. É acusado de receber propina. Defende-se como advogado que é e continua tocando a CBF de dentro de sua sala na sede do Rio. Não aparece, mas sabe que uma hora podem bater em sua porta. “É a polícia!”

Há cartolas de outras modalidades acusados de enriquecimento ilícito, ou o que valha. Alguns estão presos, respondendo em liberdade, preocupados com o futuro e com a possibilidade de ter de devolver o objeto do crime. Aliás, em todos os casos, meter a mão no dinheiro dos outros é o grande objetivo. Ajeitar a vida. Tudo gira em torno disso. São, portanto, ladrões de galinha.

 

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