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Dunga chama 12 caras novas e mantém 10 da lista da Copa

Robson Morelli

19 agosto 2014 | 12:19

Técnico chama para amistosos nos EUA contra Colômbia e Equador, dias 5 e 9 de setembro. E aposta em ateltas do líder Cruzeiro

Dunga pede para que o povo brasileiro não coloque a seleção numa vala comum, numa “terra arrasada”. Disse isso em função da falta de credibilidade do time nacional após o fracasso na Copa do Mundo. Diz que Neymar vai ser ‘moleque’ na hora do drible, mas com muito mais responsabilidade. Não explicou o que isso significa. Sua reformulação a pedido do presidente José Maria Marin, da CBF, começa com 12 caras novas em relação ao elenco que disputou o Mundial com Felipão.

A primeira lista de Dunga não é ruim e traz alguns nomes que talvez tenham faltado no time de Felipão, como o do zagueiro Miranda, por exemplo. Os 12 que não disputaram o torneio mundial são:
Rafael Cabral
Gil
Miranda
Marquinhos
Filipe Luiz
Danilo
Alex Sandro
Elias
Éverton Ribeiro
Ricardo Goulart
Philippe Coutinho
Diego Tardelli

Ele insiste com alguns atletas que espera recuperar com o tempo. Um deles é o atacante Hulk, que fez  péssima Copa do Mundo e não conseguiu empolgar em nenhuma partida. Os remanescentes do time de Felipão são:
Jefferson
Neymar
David Luiz
Maicon
Luiz Gustavo
Ramires
Oscar
Willian
Fernandinho
Hulk

Os nomes não são ruins, como também não eram na lista de Felipão antes da Copa. O desafio é fazer esses jogadores atuarem como equipe, com liberdade de criação, com disposição, sem tantas amarras como foi visto no Mundial. Um dos erros de Felipão foi ter mandado Oscar marcar pelas beiradas, função que foi mudada nas últimas apresentações, mas aí o meia não funcionou como deveria, e não por culpa só dele. Jô e Fred fracassaram, ninguém questiona isso. Assim como outros não funcionaram, emboram fossem bons jogadores na véspera. Apenas Trdelli é atacante, atacante, embora também não jogue fixo na área. Os escolhidos por Dunga nessa primeira vez chegam ao gol sem guardar posição.

Não gostaria de ver Dunga no comando desse trabalho de renovação. Entendo que ele já teve  sua chance e fracassou. Não vejo no treinador o comandante certo para criar uma seleção harmônica, boa de bola. Dunga é mandão e só sabe trabalhar desse jeito. Chama seus jogadores de guerreiros e entre marcar e desarmar e criar e jogar, sempre vai preferir a primeira opção. Não vejo Dunga como um treinador disposto a deixar um legado, mas sim a ganhar jogos e apagar incêndios. Vale lembrar que ele ganhou tudo antes do Mundial da África do Sul, quando era o comandante do Brasil. E todos sabem no que deu depois.

Tomara esteja errado e tomara que Dunga tenha mudado. Não acredito. Mas também não há como negar que sua lista tem bons jogadores, que se destacam em seus respectivos clubes. O fato de também chamar os jogadores do Cruzeiro, líder do Campeonato Brasileiro, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, mostra sua intenção de trabalhar com os melhores e com atletas de criação. Em mais de uma vez em sua entrevista Dunga reverenciou o drible. Isso é bom porque nos faz entender, em princípio, que talvez ele esteja apostando em futebol ofensivo, bonito, alegre, solto, como sempre foi na seleção. Dunga foi campeão do mundo em 1994 com uma seleção burocrática, é verdade, mas que tinha muitos talentos do meio para frente, com ele e Mauro Silva correndo atrás dos adversários.

Quando ele pede para todos marcarem, não está errado. Todo técnico pede isso. E isso não é o problema do Brasil e de sua lista de jogadores. A Alemanha fez isso na Copa que ganhou no Brasil. O problema é sair para jogar, ter liberdade para criar e atacar, e poder errar sem comprometer, tentar novamente sem ter de se anular na marcação apenas, como muitos fizeram no Mundial perdido em casa.

Se vai dar certo? Teremos de esperar.