Essa seleção do Dunga ainda incomoda no jeito de jogar

Essa seleção do Dunga ainda incomoda no jeito de jogar

Mas é inegável que o time pega gosto pelas vitórias após oito amistosos sem perder

Robson Morelli

29 Março 2015 | 15h11

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As vitórias são importantes e já se somam oito após o fracasso do Brasil na Copa do Mundo. Sob o comando de Dunga, a seleção ainda não perdeu, e ganhou de rivais como Argentina, Colômbia, França e Chile, bem ou mal são adversários importantes no cenário mundial. Mas alguma coisa ainda incomoda nesse jeito de o Brasil jogar, e digo jeito porque entendo que os jogadores estão sendo bem escolhidos. Ainda há uma dependência de Neymar, mas nunca será diferente porque o Brasil não fabrica mais tantos jogadores de uma mesma safra, tão bons quanto no passado. Vale lembrar que Alex, que se despediu sábado do futebol em jogo no Palmeiras, e Djalminha não disputaram Copas do Mundo.

A seleção joga numa correria desenfreada, e essa nunca foi a nossa, diga-se. Antigamente, além da bola, quem corria era o time rival. Sempre tivemos a bola, com calma e paciência. Dunga muda esse estilo, que na verdade já vem mudando há algum tempo. Ou perdemos nosso estilo e estamos atrás de outro.

Ocorre que essa correria, passando a bola para Neymar e lançando Firmino, apesar de eficiente, como se mostrou diante do Chile, por exemplo, deixa o jogo franco para os dois lados, mais ou menos como se dois boxeadores estivessem no ringue a socar um ao outro até que um soco se encaixe. É lona. Essa é a impressão que tenho deste time. É bom de bola, tem qualidade, mas pode sofrer gol a qualquer momento. Imagino que se o Brasil ficasse mais com a bola, poderia ser mais ‘senhor’ do jogo.

É inegável também que Dunga pilha demais seus jogadores,  a ponto de a seleção brasileira fazer mais de 40 faltas em 90 minutos, com um festival de cartões amarelos de quebra. Não é a nossa seleção. Isso me lembra de outro desastre, não dos 7 a 1 contra a Alemanha, mas daquele diante da Holanda na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, quando o pilhado Felipe Melo entregou o ouro e o Brasil voltou mais cedo para casa. Não digam que não avisei depois.