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Mais um caso de racismo no futebol. E mais outro, e outro, e outro…

Robson Morelli

29 agosto 2014 | 12:41

O goleiro Aranha, do Santos, é chamado de ‘macaco’ por torcedores do Grêmio. Entendo que os envolvidos devam ser presos e que o clube gaúcho, excluído da Copa do Brasil

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Somos um País racista ou não somos um País racista? Somos um povo de 500 anos que ainda carrega na alma sinais do primitivismo dos nossos ancestrais ou já conseguimos nos libertar de sentimentos menores e de pouca dignidade? Essas perguntas me perseguem cada vez que vejo um novo episódio que não condiz com o que qualificamos de educação, como as ofensas racistas praticadas contra o goleiro negro Aranha, do Santos, que trabalha todos os dias em sua profissão.

Racismo é crime. Mais que isso: é uma ofensa na alma. O torcedor de futebol tem a falsa noção de que pode tudo dentro de uma arena, de abrir mão de toda a educação e aprendizado da vida até cometer atos que certamente não cometeria fora dali, como as brigas e os enfrentamentos aos policiais. Esse comportamento vai ainda desde jogar tudo no chão e não no lixo até xingar uma pessoa como ocorreu com Aranha.

Não vejo o Brasil racista, mas também não o vejo livre de alguns preconceitos, sejam eles contra negros, amarelos, homossexuais, nordestinos e até contra mulheres. Certamnete vamos precisar de mais 500 anos para evoluir. Antes disso, no entanto, temos de punir. Não gosto muito dessa palavra, punir, mas entre se valer desse tipo de comportamento ou continuar assistindo essas ofensas racistas, fico com a primeira opção.

Punir os envolvidos, punir os clubes, punir as torcidas. Não há outro caminho. Infelizmente. As campanhas parecem não surtir efeito nessa gente. Entendo que o Grêmio não seja culpado de nada, mas é preciso responsabilizar o clube e punir sua torcida por causa de um ou de outro apenas. Todos pagam por causa de um, de de alguns, como é o caso de Aranha, em que meia dúzia de gremistas, entre eles, meninas bonitas e bem cuidadas, o chamaram de ‘macaco’.

Por mim, depois de indentificadas, as pessoas envolvidas devem responder criminalmente, com todos os quesitos da lei. O Grêmio deve ser excluído da Copa do Brasil. E um pedido formal de desculpas deve ser feito pelo seu presidente ao jogador ofendido, de preferência em cadeia nacional. No mínimo.