Muricy perdeu a coragem e se afasta dos ensinamentos de Telê Santana

Muricy perdeu a coragem e se afasta dos ensinamentos de Telê Santana

A derrota para o Palmeiras, da forma como foi, só vai aumentar o fervor no caldeirão tricolor

Robson Morelli

26 Março 2015 | 14h32

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Algumas coisa acontece com Muricy Ramalho, isso está mais do que nítido. Nem São Paulo nem o próprio treinador admitem problemas específicos, o que abre a oportunidade de os críticos darem opinião e fazerem uma leitura do cenário no Morumbi. O grande ‘se’ do São Paulo hoje é o técnico. Se Muricy fizesse isso… Se Muricy mexesse naquilo… Se Muricy fosse…

Seu incômodo com a diretoria é grande. Há gente importante no clube que não topa o treinador e seu trabalho. O problema de saúde o afasta de sua persistência, ensinada por Telê Santana. Mestre Telê não desistia de ensinar os fundamentos, e gostava muito dos coletivos, forma de ver o time em ação e de ensaiar o que se queria nas partidas. Muricy foi bom jogador quando os cabelos lhe caíam nos ombros, portanto, sabe do riscado, como ele mesmo diz. O que chama a atenção é que ele, com tamanho conhecimento e experiência, tenha perdido a coragem de arriscar, de mudar, de colocar em prática o que pensa do futebol, de recomeçar.

Mas isso nos remete à outra situação, e aqui não há meias palavras, mas uma dúvida: os jogadores estão de sacanagem com o treinador? Digo isso porque o próprio Muricy se fez entender após a derrota para o Palmeiras que não consegue mais tirar futebol do elenco. E cá entre nós, os jogadores do São Paulo são bons. Podem não estar rendendo nada, mas é inegável que muitos no elenco têm técnica.

Pato não gostou nada de ter deixado o campo após a expulsão de Toloi. Também acho que Muricy não deveria ter tirado o atacante, referência na frente e que impõe respeito no marcadores. Errou. Mas aí entra a falta de confiança que assombra Muricy. Ele prefere se fechar na defesa a atacar. Telê Santana lhe ensinou o oposto. Nas últimas semanas, o futebol esteve repleto de exemplos de times que se superaram com um homem a menos. O maior exemplo foi a classificação do PSG diante do Chelsea, em Londres, pela Liga dos Campeões. Houve outros.

No caso dos jogadores do São Paulo, o erro de Ceni no gol de Robinho e a expulsão infantil de Toloi diminuíram o ímpeto do time. As mudanças de Muricy ajudaram a afundar as chances de reação. O que se passa, descobriremos em breve. O fato é que diretoria, comissão técnica e elenco não falam mais a mesma língua. A diretoria não vai mudar, a não ser que se peça o afastamento do presidente Aidar. Duvido. O elenco é esse é todos nele têm contrato. Muricy é a ponta mais fraca desse elo. Suas reações tímidas, sua pouca disposição à beira do gramado (talvez pela saúde), a bronca que recebeu de Ganso no jogo, a ‘desobediência’ tática, as intromissões da diretoria ou pelo menos sua animosidade, tudo isso está no caldeirão tricolor, que ferve como nunca antes nesta temporada.