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O dilema de Muricy agora é saber o que fazer com Luis Fabiano

Robson Morelli

22 agosto 2014 | 19:55

Alguns cardeais do Morumbi olham para o atacante e não imaginam um lugar para ele no São Paulo

O São Paulo não precisa mais de Luis Fabiano. A constatação é de cardeais do Morumbi, alguns que sempre torceram o nariz para o atacante. Agora, com o time montado, e com Alan Kardec e Alexandre Pato jogando bem, e Osvaldo na reserva, entre outros, é muito difícil que Luis Fabiano seja lembrado. Além de voltar a jogar razoavelmente bem (não podemos nos esquecer da eliminação na Copa do Brasil diante do Bragantino), o time soma pontos, ocupa posições lá em cima na tabela do Nacional e se aproxima do líder Cruzeiro.

Mas é muito difícil também abrir mão de Luis Fabiano, um jogador identificado com as coisas do clube, que se recupera de contusão. Mais maduro, ele sabe fazer gols e os zagueiros rivais o respeitam por tudo o que fez no futebol. Luis Fabiano não tem mais aquela explosão nas pernas e sabe que seus músculos já não são mais de menino. Terá, portanto, de se reinventar na área, sem, no entanto, perder qualidade e, sobretudo, a distância do gol.

Ocorre que para jogar com Luis Fabiano mais recuado, Muricy tem melhores opções.

A saída para o treinador é se valer das ausências naturais dos titulares por cartões, condição física, suspensão. Penso que se Muricy tiver todos à disposição, Luis Fabiano sobra. Os dirigentes já não se incomodam mais com isso, pelo menos não nesse momento da competição. E sabem também que muito provalvelmente o São Paulo terá de ficar com o atacante até o fim de sua carreira.

Mas no meio desse caminho, que ainda é longo, e , por isso, muita coisa pode mudar, o maior trabalho de Muricy será convencer Luis Fabiano a ficar quietinho no banco, se assim o chefe definir. O jogador nunca foi de aceitar a reserva, e aí vejo isso como algo positivo. Confesso ficar incomodado quando um atleta se conforma com a reserva. Luis Fabiano não é desses, mas se estiver abaixo dos outros da posição, terá de aceitar sua nova condição. E agora com o aval de alguns cardeais.