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O lado bom do empate com o México: o fim da maquiagem da seleção e mais futebol

Robson Morelli

19 junho 2014 | 11:19

A pulga atrás da orelha que o empate da seleção brasileira com o México colocou nos torcedores pode ter um lado positivo. O time de Felipão vai tirar um pouco da maquiagem de suas apresentações e começar a jogar mais bola. É muito bonito entrar no campo de mãos dadas, como fazia o Brasil de Dunga na África do Sul, ou com a mão direita no ombro do companheiro da frente na fila indiana, como faz agora o time de Felipão. É muito bacana também cantar o hino como eles cantam, coisa que sempre cobramos dos jogadores da seleção, que antes mascavam chicletes durante a apresentação, e agora são embalados pela torcida e tudo mais que já vimos nos estádios. Legal.

Mas nada disso substitui o futebol bem jogado. Foi jogando bem que a seleção ganhou a torcida na Copa das Confederações. O restante era pura maquiagem. Talvez por isso o empate com os mexicanos tenha seu lado positivo. A ficha caiu e caiu na hora certa. Nada está perdido e o Brasil ainda não perdeu na competição e agora termina a fase de grupo diante do mais fraco dos adversários, Camarões. Então, senhores, tudo está no enredo.

O problema é nosso e não com Felipão. Esperávamos um Brasil mais pegado, de melhor futebol, encantador. Somos assim. E ainda não vimos isso nesta Copa, embora os resultados da seleção não sejam tão ruins assim. Mas Felipão sabe, e seus jogadores também, que o povo brasileiro sempre vai querer ver boas partidas. E isso só será substituído pela taça no final. Se o Brasil ganhar a Copa, ninguém vai falar do pênalti inexistente dado em Fred na abertura da Copa contra a Croácia ou das dificuldades encontradas pelo time no jogo diante do México. Vai valer a conquista e nada mais que ela. O povo sairá às ruas para festejar. Todos serão heróis.

Imagino então que Felipão vai cobrar mais de seus jogadores de agora em diante, ser duro sem perder a ternura, apresentar a Copa sem maquiagem e, claro, provocar reações. No jogo contra Camarões, a seleção terá novo comportamento, já pensando nas oitavas. No Chile ou na Holanda.