Os problemas do São Paulo são muitos, de campo e de bastidores

Foi Aidar que liberou a torcida no treino de sábado contra a vontade da comissão técnica

Robson Morelli

10 Março 2015 | 11h30

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O São Paulo precisa repensar sua administração no futebol do goleiro ao ponto-esquerda, passando pela encruzilhada em que se meteu ou em que meteram o técnico Muricy Ramalho aos rompantes de seu presidente, Carlos Miguel Aidar. Se algo imediato não for feito, o futebol pode pagar caro, principalmente porque tem um grupo forte e que poderia dar mais frutos do que os colhidos neste começo de temporada. A torcida que vaia, como disse Souza recentemente, também precisa fazer sua parte. O São Paulo talvez seja o time grande do Brasil mais pressionado no momento.

O descontentamento é grande no clube e em seus bastidores, não se fala mais o mesmo idioma no Morumbi. Foi de Aidar a ideia de liberar o treino para o torcedor às vésperas do jogo contra o Corinthians, domingo. E era para ser no CT da Barra Funda, onde haveria mais proximidade com os jogadores. Foi o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, que teve bom-senso para levar o treino de sábado para o Morumbi, local da partida, onde os torcedores, principalmente os organizados, ficariam mais distantes. Sábia decisão. Os jogadores enfrentaram pressão e protestos naquele treino. Muricy, obrigado a cumprir ordens, saiu com essa de ‘conhecer o campo de jogo’.

Nos corredores do Morumbi, muitos cardeais estão insatisfeitos com os mandos e desmandos de Aidar, mas como ele é presidente, ninguém o peita pra valer. O que se diz é que muitos da oposição estão com saudades de Juvenal Juvêncio. Também não caiu bem no clube a decisão do presidente de bancar a torcida organizada, que pega no pé do time, no clássico com o Corinthians no Itaquerão, naquele episódio em que os são-paulinos ficariam sem condução pública para voltar da zona Leste. Num momento em que todos os presidentes e o Brasil estão em pé de guerra com as Uniformizadas por causa das constantes brigas, Aidar trafega na mão inversa.

A falta de confiança e respaldo que sente do presidente faz Muricy recuar, perder a graça no que mais gosta de fazer, que é trabalhar. O treinador não parece à vontade no clube, e isso é ruim, apesar também de ter muitos torcedores que entendem que ele perdeu a mão. Pode ser que Muricy precise de uma reciclagem, de um descanso, como quer ele próprio no fim do ano, mas também é inegável que se sente desconfortável nesse momento. E o culpado disso é Aidar.

Sem trabalhar direito, o treinador arranca pouco do elenco, que também precisa ajudar mais. Individualmente, o São Paulo tem bons jogadores no grupo, mas parece que juntos eles não conseguem fazer muito. Estão todos querendo resolver, mas não existe um padrão ou mesmo uma forma de atacar os adversários. Ganhar dos nanicos do Paulistão é fácil, mas não convence. Isso sem falar dos eternos jogadores que não estão mais sintonizados ou que jogam bem uma partida e depois desaparecem. Refiro-me a Luis Fabiano e Ganso, sobretudo.  Esses dois jogadores precisam demais de tapinhas nas costas e se afundam quando estão pressionados ou quando paira qualquer desconfiança sobre seus trabalhos. Luis Fabiano não tem sequer a certeza de que é titular. Joga, mas pode sair a qualquer momento. Isso o afunda. Na Copa do Mundo da África do Sul foi assim. Ele atuou sem confiança o tempo todo. Também já não é mais o Luis Fabiano de antes.

O caso de Ganso é mais delicado. Ou ele está atrás do grupo ou muito à frente. Com toda a sua técnica e inteligência, não se encontra e vive de momentos geniais do passado. O que se cobra dele é regularidade e participação. O São Paulo tem problemas demais para resolver nesse começo de ano, que também já não é mais tão começo assim.