Renovações enroscadas para Corinthians e Palmeiras

Guerrero e Valdivia negociam novos contratos com seus respectivos clubes. Não está fácil. O corintiano terá de baixar a pedida. O chileno precisa ganhar por produtividade

Robson Morelli

11 Março 2015 | 23h57

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Palmeiras e Corinthians estão envolvidos em renovações enroscadas de dois de seus principais jogadores, Valdivia e Guerrero, respectivamente. Por acaso, dois estrangeiros bastantes valorizados no futebol nacional. Fossem essas negociações conduzidas na temporada passada, os clubes teriam de abrir seus cofres para segurar os atletas, dada a importância deles no rendimento e aproveitamento da equipe. Valdivia era um oásis no deserto alviverde comandado por Gareca e Dorival. A secura de bom futebol naquele Palmeiras era imensa.

Por isso, e também pelo contrato ainda em vigência, Valdivia foi levado em banho-maria e agora enfrenta um desdém que talvez não merecesse. O problema é que pesa contra o chileno o fato de ele não jogar, um assunto velho e antigo e que o torcedor do Palmeiras não tem mais paciência para enfrentar. Estamos em março, indo para a segunda quinzena, e nada de o gringo estrear. O fato é que nem seus defensores dentro do clube já estão mais dispostos a apoiá-lo.

O presidente Paulo Nobre, impossibilitado de ir contra os sentimentos do coração em relação a Valdivia, deu a Alexandre Mattos a missão de resolver o assunto, e tocá-lo com a mesma desenvoltura dos seus tempos de Cruzeiro. Nesta semana, Mattos foi duro e irônico com Valdivia, rebaixando-o à uma condição que ele jamais provou no Palmeiras. Pura estratégia para negociar com margem favorável, o que o clube também nunca teve por causa da necessidade de ter o atleta e não ser rebaixado. Mattos demonstrou que Valdivia não é mais prioridade ao desmarcar reunião com seu pai e empresário. Teve de esperar. O Palmeiras tem um time mais bem formado nesta temporada. Tem emplacado boas vitórias no Paulistão e Copa do Brasil, e isso diminui a dependência a Valdivia. Nesta quarta, perdeu para o Santos, mas ainda tem sobras no Paulistão.

GUERRERO

Da mesma forma, Guerrero ainda não tem sua renovação acertada com o Corinthians. Como Valdivia, diz que não jogaria em outro clube no Brasil. A situação do atacante peruano é bastante parecida ao de seu colega chileno do Palmeiras. O Corinthians vai se virando em partidas importantes sem ele.

Os dois clubes trabalham para ficar com os jogadores, claro, mas também para não gastar tanto. Esse é o ponto. E nesse quesito, o Corinthians demonstra que não pretende abrir os cofres para o peruano. São R$ 21 milhões pelo contrato e aumento salarial na casa dos R$ 500 mil mensais. É dinheiro que o Corinthians não tem, e mesmo se tivesse não daria a jogador algum. O futebol brasileiro não está para isso.

No caso do Palmeiras, a discussão não é sobre os ganhos de Valdivia, mas para enquadrá-lo numa remuneração por produtividade. Os dirigentes do Palmeiras entendem que se o meia ganhar pelo que apresentar em campo, talvez ele jogue mais. É a teoria do bolso. E se um contrato desse tipo estivesse em validade neste ano, Valdivia só teria recebido o mês de janeiro, o de preparação da equipe para a temporada.

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