Rogério Ceni precisa resgatar o vestiário do São Paulo para poder reagir em campo

Robson Morelli

15 Maio 2017 | 13h04

Rogério Ceni enfrenta resistência do comando do elenco tricolor. Já há no grupo alguns jogadores que torcem o nariz ao jeito de ser de Ceni. Alguns dizem que falta transparência. Outros preferem se ater às decisões (equivocadas) do treinador de mudar o time com alguma frequência. Jogador brasileiro não aprova o rodízio na escalação. Quer que o técnico defina os 11 o mais rapidamente possível. Essa história de jogar um e depois outro e depois um terceiro não faz parte da cultura do atleta brasileiro, fominha por natureza.

Não digo que seja só esse o ‘erro’ de Ceni à frente do São Paulo. Na verdade, nem acho que isso seja um erro, mas que jogador não gosta de mudanças, não gosta. Há exemplos lá fora de rodízios bem-aceitos, mas há também situações que derrubam essa tese que tentam trazer para o Brasil, a do revezamento como algo natural. O Barcelona, por exemplo, jamais, ou bem pouco, abre mão do trio Neymar, Messi e Suárez.

O fato é que Ceni já anda sendo questionado no Morumbi. Não pegou bem também para o treinador insistir com Neilton na partida do meio de semana na Sul-Americana, quinta-feira. O atacante já estava com seu destino definido: seria devolvido ao Cruzeiro. De modo a ter pegado mal para Ceni sua escalação desde o começo da partida contra o Justicia, da Argentina. A eliminação do São Paulo fez a água ferver ainda mais no vestiário.

Dirigentes próximos ao presidente Leco não gostaram da atitude do treinador. Não se trata de um processo de fritura de Ceni, longe ainda disso. Certamente o São Paulo vai levar a melhor contra o Avaí em casa, na segunda rodada do Brasileiro, na próxima segunda. Mas o treinador precisa melhor seu jeito de agir e de pensar, de tratar o grupo e de tomar suas decisões. Há horas de recuar, de pedir desculpas, de baixar a cabeça e trabalhar mais, de não criar casos. Isso é normal no processo de liderança. Acima de tudo, tem de ser justo e honesto. O Nacional é o que resta ao time na temporada. Não há margens, portanto, para fracassos ou erros bobos, como o que tirou o empate diante do Cruzeiro.

Rogério ainda tem de administrar a má fase de alguns jogadores, como Maicon, Rodrigo Caio e Cueva. Há outros devendo.

O São Paulo precisa de um profissional para fazer o meio de campo entre Ceni, o elenco e a diretoria, de modo a não deixar nenhuma das partes refém das outras. Hoje, o clube parece refém do treinador, que comanda o elenco sem saber direito o caminho que pega. Vai criando atritos nesse percurso. Esse profissional para equilibrar as estruturas no Morumbi teria de conversar com todas as partes sem medo, de igual para igual, com respeito e cobrando respeito. Não poderia ser um sujeito que fizesse sombra a Ceni nem que ficasse incomodado em cobrar jogadores e diretores. Talvez Ceni precise dessa ajuda nesse começo de carreira.