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STJD dá seu recado: não vai tolerar atos de racismo no futebol brasileiro

O Grêmio, excluído da Copa do Brasil porque parte de sua torcida xingou Aranha, do Santos, de 'macaco', servirá de exemplo para todos os outros times do País

Estadão Esportes

03 Setembro 2014 | 18h58

O Grêmio foi punido nesta quarta-feira pelos atos racistas de parte de sua torcida contra o goleiro Aranha, do Santos, em jogo na Arena. O clube foi excluído da Copa do Brasil, em decisão inédita, mas que ainda cabe recurso e, portanto, pode dar em nada. Como escrevi neste mesmo espaço sobre o assunto, semana passada, pedindo punição aos envolvidos e ao Grêmio, reafirmo que a pena precisava, de fato, ser aplicada.

Entendo que os envolvidos, aqueles torcedores que chamaram o goleiro do Santos de ‘macaco’, devam ser identificados e processados, já que ofensa racista é crime por lei. Não há meias palavras para isso. No caso da punição ao Grêmio, duríssima, também defendo que é preciso responsabilizar os clubes pelos atos de sua gente, de seus torcedores. Isso vale para o Grêmio, mas também para Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, enfim, qualquer time que abra suas portas para receber uma partida de futebol. O Grêmio, diga-se, não é culpado de nada, mas é responsável sim. Tanto é que dois envolvidos eram sócios do clube, devidamente eliminados do quatro associativo.

Não dá para deixar o clube isento de sua parcela de responsabilidade no episódio. É sua gente que xinga, quebra e briga. Nesse caso, vejo ainda que o ato julgado, racismo, é pesado demais. Posso até admitir que cada um tenha um tamanho de indignação em relação ao assunto, mas é inegável que ninguém fica indiferente ao tema. Não entra na minha cabeça que um branco seja melhor do que um negro ou o contrário. O Grêmio está servindo de exemplo para que o STJD dê seu recado aos outros clubes do Brasil. E o recado é bastante claro a partir de agora. O futebol brasileiro não vai tolerar atos de racismo em campo.

Estão, a partir de agora, todos estão avisados.