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Um dia de fúria de Kaká contra o colunista Juca Kfouri

Robson Morelli

22 junho 2010 | 20:04

Dunga contagia o elenco com sua postura anti-imprensa. Parece que é o que melhor ele faz aqui na África do Sul: discutir com jornalistas. Tenta jogar a nação contra quem trabalha cobrindo a seleção. Kaká anda bebendo da mesma água do treinador. Condenou o jornalista Juca Kfouri por ele ter dito que o jogadore talvez tenha a carreira abreviada devido ao seu problema de púbis, como ocorreu com o tenista Guga. Kaká disse que a perseguição do jornalista ao seu trabalho se deve porque ele propaga aos quatro cantos sua fé em Jesus Cristo. Parte de sua entrevista foi para responder ao jornalista, que nem estava presente. Kaká usou André Kfouri, filho de Juca, jornalista como o pai, mas com suas próprias ideias e trabalho, para mandar seu recado, acusá-lo de perseguição. Os outros 300 repórteres naquela sala de imprensa não tinham nada a ver com o assunto, mas tiveram de ouvir o desabafo do jogador. Seria mais justo que o tema e as desavenças fossem resolvidos olho no olho. Kaká e Juca. Juca e Kaká. E que todos nós fóssemos poupados daquele constrangimento.

Para você entender o caso:

Juca escreveu:
“KAKÁ DESMENTIRÁ, assim como o médico da seleção brasileira. Mas o fato é que ele está sofrendo para jogar esta Copa do Mundo e pode, como Guga, até encerrar sua bela trajetória no futebol muito mais rapidamente do que gostaria. O mesmo problema que o maior tenista brasileiro de todos os tempos enfrentou no quadril Kaká enfrenta no púbis, segundo confidências de médico para médico que chegaram ao conhecimento da coluna horas antes de o Brasil enfrentar a Costa do Marfim.”

Kaká rebateu: 
“HÁ ALGUM tempo os canhões do seu pai  são disparados contra mim. A artilharia dele está voltada contra mim. Eu queria aproveitar a pergunta para responder às críticas que ele vem fazendo, e o que me deixa triste é que o problema dele comigo não é profissional, mas porque ele não aceita minha religião. Porque eu sou uma pessoa que segue Jesus Cristo. Eu o respeito como ateu, e gostaria que ele me respeitasse como seguidor de Jesus Cristo, como alguém que professa a fé em Jesus Cristo. Não só a mim, mas a todos os milhões de brasileiros que creem em Deus.”

Juca retrucou:
“KAKÁ SE ENGANA e enfiou Jesus onde Jesus não foi chamado.Critico sim o merchandising religioso que ele e outros jogadores da Seleção costumam fazer, tentando nos enfiar suas crenças goela abaixo. Um tal exagero que a Fifa tratou de proibir, depois do que houve na comemoração da Copa das Confederações. Mas não abri bateria alguma contra ele, provavelmente mal assessorado, tanto que o considerei o melhor em campo no jogo contra Costa do Marfim. Apenas noticiei que ele sofre com seu púbis e há quem avalie que isso o levará a encerrar a carreira prematuramente.”