Brasília engatinha no mercado de hostels
As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Brasília engatinha no mercado de hostels

Lucas Vidigal

10 Junho 2013 | 17h27

Sede da abertura da Copa das Confederações, capital federal conta apenas com dois estabelecimentos com quartos coletivos e preços baixos

Lucas Vidigal — especial para o Estado

BRASÍLIA – Acostumada a receber visitantes em viagens de negócios ou de política, Brasília tem apenas dois albergues, ou hostels, como são mais conhecidos. Os únicos estabelecimentos do tipo na capital já esperam por novos visitantes que vêm à cidade para a Copa das Confederações, que começa no sábado, 15.

Para o evento, com abertura em Brasília, os hostels da cidade vão receber principalmente torcedores de outros estados e voluntários, como o estudante de educação física Edson Soares, 23 anos, de Caxias do Sul (RS). O jovem chegou ao Brasília Hostel na sexta-feira, 7, atraído pelo preço da diária. “É a primeira vez que fico em um albergue e já tinha ouvido falar que é um local mais descontraído”, conta.

O Brasília Hostel é o primeiro estabelecimento do tipo na capital federal. São 103 leitos em 20 quartos. O valor da diária é de R$ 50 para filiados ao movimento Hostelling International, ao qual pertence o albergue, e R$ 65 para não associados. As reservas para a Copa das Confederações começam na quarta-feira, 12, e a diária vai dobrar, o que é raro de acontecer no local. “Como é uma instituição sem fins lucrativos, só podemos mexer nos preços com autorização da rede”, comenta Beatriz Borges, presidente da Associação do Distrito Federal de Albergues da Juventude.

Edson ainda não viu tanto movimento no local e está sozinho em um quarto com capacidade para seis pessoas. “Não é um torneio tão grande quanto a Copa do Mundo. No ano que vem, sim, a gente espera mais visitantes internacionais”, afirma Beatriz. Enquanto mais hóspedes não chegam, a direção do hostel aproveita para fazer pequenos ajustes como pintura de paredes.

As instalações não são muito diferentes do que se encontra em hostels pelo mundo. São três camas beliche em 18 dos 20 quartos — todos com banheiro, facilidade nem sempre encontrada em outras hospedagens do ramo. Tudo sem televisão ou geladeira: aparelhos como esses são de uso coletivo. Há, ainda, outras duas suítes mais semelhantes aos de hotéis convencionais, com camas de casal e de solteiro.

Hostels são famosos na Europa por acolherem principalmente jovens e mochileiros do mundo todo em quartos coletivos a preços mais baixos. Pelo próprio perfil do turismo da cidade, o público dos albergues de Brasília é diferente dos mochileiros que frequentam tais locais em cidades maiores. “Além dos jovens, recebemos caravanas de pessoas que vêm em encontros como estudantes, indígenas e representantes sindicais”, comenta Beatriz.

Em hostels, o hóspede fica responsável por comprar a própria comida e arrumar os quartos. Edson teve dificuldades para encontrar um mercado. Na cidade famosa por setorizar até o comércio, há poucas opções próximas ao Brasília Hostel, que fica cercado por grandes áreas verdes onde antes ficavam reservadas para camping. A única linha de ônibus passa por lá a cada 20 minutos entre as 6h e as 22h, sempre para a Rodoviária. Para seguir de transporte público a outros pontos do DF, só com baldeação. A vantagem é a proximidade do Estádio Nacional Mané Garrincha, a pouco mais de dois quilômetros. “Dá para ir a pé”, diz o voluntário.

 

Edson Soares veio do Rio Grande do Sul para ser voluntário: preço do albergue chamou a atenção

Hospedagem com estilo

Em meio a oficinas e bares simples na quadra 708 da Asa Norte, no Plano Piloto, um pequeno albergue deu novos ares à região com jeito de abandono. O Hostel 7 chama a atenção do hóspede logo na porta, com móveis descolados e um sofá em formato para-choque de carro.

O novo Hostel 7 começou as atividades apenas no dia 20 de maio. Porém, a ideia é antiga, afirma um dos sócios-proprietários, Aurélio Araújo. “Comecei a discutir o assunto em 2008 com colegas depois de viajar pelo mundo e só me hospedar em albergues”, conta ele, que também trabalha em uma empresa de comunicação sediada no próprio hostel.

Na fachada, há apenas o letreiro do estabelecimento, no formato de placa de carro. Mesmo assim, o impacto do hostel já é sentido por quem trabalha perto dali. “Deu para ver um povo diferente, já vi angolanos e alemães. É bem bacana”, comenta Paulo Victor Ribeiro, 22 anos, ajudante de uma oficina vizinha ao albergue. Luísa Rodrigues, 37 anos, também viu mudanças no movimento do bar em que trabalha, na frente do Hostel 7. “Às vezes os hóspedes vêm comprar alguma bebida por aqui”, conta.

A existência de um hostel na 708 Norte contrasta com o fato de grande parte das quadras 700 da Asa Norte ser ponto de prostitutas, que muitas vezes fazem programas em pousadas clandestinas. Araújo não vê isso como problema ao Hostel 7, mas como um desafio. “Queremos mostrar com o albergue que dá para revitalizar a área”, diz.

Araújo afirma que o albergue tem tido grande procura de concurseiros e de jovens de outros estados que vão retirar visto em embaixadas, como é o caso da estudante de odontologia Laryssa Cohen, 25 anos, de Manaus (AM). “Gosto do ambiente porque dá para fazer amizade com pessoas bem diferentes”, comenta.

O empreendimento é novo, mas já teve hóspedes de 15 países, a maioria do México. “Alguns só colocaram Brasília no roteiro de viagem porque encontraram hostel”, afirma Araújo. Para a Copa das Confederações, 27 dos 38 leitos do Hostel 7 estão confirmados e outros três pré-reservados. “Além de japoneses, vamos receber gente de outros países como Estados Unidos”, prevê. O valor da diária é de R$ 90, com café da manhã incluso. No sábado, 15, dia da abertura do evento, o preço sobe para R$ 120.

 

Aurélio Araújo estilizou albergue que abriu em região abandonada de Brasília

Serviço

Brasília Hostel

SRPN quadra 2, lote 2D – Asa Norte.

Telefone: (61) 3344-9191

Diárias na Copa das Confederações: R$ 100 (associados ao Hostelling International), R$ 120 (não associados).

www.brasiliahostel.com.br

Hostel 7

SCLRN 708 bloco I, loja 20 – Asa Norte.

Telefone: (61) 3033-7707

Diária na Copa das Confederações: R$ 120.

www.hostel7.com.br

 

Mais conteúdo sobre:

aberturaBrasíliahospedagemhostels