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Copa tem boa primeira fase dentro de campo

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Copa tem boa primeira fase dentro de campo

Média de 2,93 gols por partida é superior as das últimas 10 edições do Mundial

Seleção Universitária

27 Junho 2014 | 11h32

Média de 2,93 gols por partida é superior as das últimas 10 edições do Mundial

Neymar contra a Croácia, na abertura do Mundial (José Patrício/Estadão)

 

Pedro Hallack – especial para O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A fase de grupos da Copa do Mundo de 2014 se encerrou na última quinta-feira, 26. As 48 partidas disputadas até agora empolgaram pelo bom futebol apresentado, registrando uma média de 2,83 gols por jogo – foram marcados 136 no total. Caso esse número persista até o fim da competição, a Copa deste ano terminará com a melhor média desde 1970, que teve 2,97 gols por partida. O recorde pertence à edição de 1954, com 5,4 tentos por jogo.

Além da média atual superar as dez Copas passadas, os dados do momento dão um alento para quem se decepcionou com a queda da média de gols nas últimas edições. Após a Copa de 1990, que teve a média mais baixa de toda história, – 2,2 tentos por jogo – 1994 e 1998, registraram médias de 2,7 gols por confronto. A Copa de 2002 já registrou queda, com 2,5, enquanto 2006 e 2010 tiveram média de 2,3. A fase de grupos do último Mundial proporcionou números ainda mais tímidos: 2,1 gols por partida. A quantidade de bolas na rede se reflete na média de finalizações, que aumentou para 25,77 na primeira fase desta edição. Em 2010, por exemplo, a média foi de 22,35.

Outro dado que aponta para partidas mais bem jogadas é a média de faltas dos confrontos. Enquanto as fases iniciais dos torneios de 2010, 2006 e 2002 contabilizaram, respectivamente, médias de 30,6, 35,58 e 35,54 infrações por partida, a edição atual tem média de 28,7. Esses números acabam refletindo na quantidade de cartões distribuídos: 2,83 por partida, até o momento, em 2014, contra 4,23, 5,75, e 4,6, respectivamente, de 2010, 2006 e 2002.

Destaques. A fase de grupos terminou com uma importante marca. O polonês naturalizado alemão Miroslav Klose, 36, empatou com o ex-atacante Ronaldo, o ‘Fenômeno’, como o maior artilheiro da história das Copas, com 15 gols. E ele não é o único integrante da seleção alemã que pode bater a marca do brasileiro. Os quatro gols marcados neste Mundial fazem o jovem Thomas Muller já somar nove tentos em sua segunda participação no torneio. Caso mantenha a média atual e a Alemanha se classifique até as semifinais, Muller terminará, com apenas 24 anos, a Copa com 14 gols em sua contagem.

Quem divide a artilharia do torneio com o alemão é o brasileiro Neymar e o argentino Lionel Messi. Enquanto Neymar surpreende pelo fato de, aos 22 anos, assumir a responsabilidade como principal nome da seleção brasileira na busca pelo hexa, Messi, eleito quatro vezes consecutivas como melhor jogador do planeta, finalmente se consolidou como o grande nome da Argentina. Apesar de não ter atuado mal, o argentino havia marcado apenas um gol em Copas, em 2006, tendo passado 2010 em branco.

Surpresa. Por mais que seleções como Holanda, França, Colômbia e Chile mereçam elogios pelo futebol apresentado na primeira fase, é inegável que Costa Rica foi quem mais chamou a atenção. Os costarriquenhos, tidos como azarões antes da competição, foram líderes do ‘grupo da morte’, à frente de Uruguai, Itália e Inglaterra, respectivamente. Caso passe pela Grécia nas oitavas de final, Costa Rica alcançará o seu melhor resultado em Copas; em 1990, o país também chegou às oitavas, mas foi goleado pela Tchecoslováquia, hoje extinta, por 4 a 1.

Decepção. Muitos consideraram que o português Cristiano Ronaldo foi a grande decepção desse Mundial. O atual vencedor da Bola de Ouro como melhor jogador do mundo marcou apenas um gol e deu uma assistência em solo brasileiro, não conseguindo evitar a eliminação precoce de sua seleção. Porém, o atacante do Real Madrid jogou a competição no sacrifício, sem estar plenamente recuperado de uma tendinite no joelho esquerdo.

Levando isso em conta, é mais justo apontar a Espanha como a principal decepção até aqui. A vitoriosa geração espanhola, que ganhou duas Eurocopas, em 2008 e 2012, e a Copa do Mundo de 2010, fechou o seu ciclo de maneira melancólica. A seleção foi eliminada no Grupo B com uma rodada de antecedência, após ser massacrada pela Holanda na estreia, por 5 a 1, e perder para o Chile por 2 a 0. A vitória por 3 a 0 sobre a Austrália, na última rodada, serviu apenas para o país deixar o torneio de forma digna. A título de comparação, a Espanha levou dois gols em toda campanha de 2010, contra sete nas primeiras duas partidas de 2014.