OITO MOTIVOS QUE LEVARAM O SÃO JOSÉ RUGBY AO TÍTULO BRASILEIRO

brunoromano

01 Outubro 2012 | 19h39

Pela segunda vez nos últimos dez anos o São José Rugby se consagrou tricampeão brasileiro. Se somados todos os títulos da equipe na principal competição do país, o troféu erguido no último domingo foi o oitavo na história do time de São José dos Campos, no interior paulista. Talvez o mais disputado de todos, com uma final sendo definida apenas no último lance, com vitória por 25-18 em cima do São Paulo Athletic Club, o SPAC.

Os dois últimos jogos realizados em Embu das Artes (o São José também venceu o Pasteur, na semi), confirmaram a hegemonia do clube não só no cenário paulista como nacional. Entenda porque a jovem equipe do interior se tornou o time a ser batido no Brasil.

1. INVESTIMENTO NA BASE

Praticamente todo o elenco campeão viveu toda a sua história no rugby nas categorias de base do clube. O São José revela atletas juvenis de ótimo nível e também tem equipes competitivas em todas as categorias abaixo dos 20 anos. Projetos sociais e pólos de treinamento ao redor de São José fazem parte da estratégia do clube de priorizar a base.

2. INTERCÂMBIO NA COMISSÃO TÉCNICA

Além de contar com o argentino Ignácio “Nacho” Ferreyra no comando da equipe de XV, a comissão técnica possui profissionais como o treinador Maurício Coelho, que já foi responsável pela Seleção brasileira masculina de rugby 7’s. A equipe extra campo está sempre estudando, inclusive fora do país, novas técnicas e táticas de jogo.

3. PROJETO DE LONGO PRAZO

Uma equipe que venceu seu oitavo título não tem contado apenas com a sorte. Desde que começou a aparecer nos principais torneios do país, o São José mostra um planejamento de longo prazo, que envolve desde a preparação de garotos e a recuperação física de atletas lesionados, até o intercâmbio de jogadores no exterior e o próprio investimento na base.

4. EXPERIÊNCIA

O bom nível mostrado nos jogos nacionais leva os atletas de São José constantemente para as seleções nacionais. As convocações trazem experiência, que pode ser percebida em detalhes, por um olhar mais atento aos jogos da equipe.

5. COMPETITIVIDADE

Até chegar a final do Super 10, o São José estava invicto, assim como o SPAC. Um try no fim do jogo levaria a partida para a prorrogação. E um título do SPAC não seria, de forma alguma, injusto, por tudo o que fizeram no torneio e na própria decisão. Erros e acertos a parte, a equipe joseense se mostrou extremamente competitiva durante toda a partida. A vontade de ganhar não era vista somente no ataque, mas principalmente na defesa. Nos últimos minutos, simplesmente se recusou a tomar um try.

6. PODER DE DEFINIÇÃO

Com um grupo de fowards esforçado e uma linha arisca, o São José conseguiu pontuar no torneio de diversas formas. Uma equipe com tanta capacidade de chegar ao in goal é difícil de ser marcada. A pontuação não aparece destacada em um ou outro jogador, mas se espalha pelo elenco.

7. NOVATOS NA HORA CERTA

Algumas caras novas apareceram nas decisões deste ano. Ainda que visivelmente sem experiência, os jogadores da base costumam ser lançados na hora certa no clube. É fácil perceber que estão bem preparados fisicamente e que sabem fazer bem a parte tática. Lançar um jogador antes da hora pode atrapalhar toda a sua evolução no rugby – e o São José tem se mostrado preciso neste ponto.

8. ELENCO PARA O SEGUNDO TEMPO

O Super 10 está cada vez mais competitivo. Não é conversa para promover o esporte. De fato as equipes se mostram cada ano melhor preparadas. Um grande diferencial para desequilibrar um jogo de XV pode ser o elenco. Foi o que fez o São José, com substituições que mudavam a forma do time atuar – e colocavam ritmo nos 20 minutos finais. Todos os clubes de ponta e seleções estão fazendo isso. O campeão brasileiro o fez muito bem.

CAMPANHA SÃO JOSÉ 2012

1ª FASE:
SÃO JOSÉ 34 X 8 BH RUGBY
DESTERRO 14 X 15 SÃO JOSÉ
SÃO JOSÉ 45 X 7 PASTEUR
FARRAPOS 3 X 26 SÃO JOSÉ

QUARTAS:
SÃO JOSÉ 36 X 5 RIO BRANCO

SEMI:
SÃO JOSÉ 19 X 6 PASTEUR

FINAL:
SÃO JOSÉ 25 X 18 SPAC

CLASSIFICAÇÃO FINAL – SUPER 10 DE RUGBY (2012)

1º – São José
2º – SPAC
3º – Pasteur
4º – Desterro
5º – Farrapos
6º – Rio Branco
7º – Curitiba Rugby/Unibrasil
8º – Bandeirantes
9º – Niterói
10º – BH Rugby

ARTILHEIROS

Leandro Amaral (Leco) – SPAC – 102 pontos
Lucas Duque (Tanque) – São José – 66 pontos
Bernardo – Bandeirantes – 60 pontos

Fotos: Dani Mayer/Fotojump