PRA CIMA, BRASIL!

brunoromano

31 Outubro 2012 | 18h48

Autógrafos de jogadores, casa cheia e mídia presente. Esse parece ser o novo cenário do rugby brasileiro em jogos da seleção nacional, que conquistou uma vitória importante sobre o Paraguai no último fim de semana. O triunfo por 35 a 22 garantiu o Brasil no Sul-Americano “A” do ano que vem, onde terá de bater Chile e Uruguai para continuar sonhando com uma vaga na Copa do Mundo de Rugby de 2015, na Inglaterra.

Mais do que o resultado, o rugby nacional deu um passo importante para a consolidação do esporte por aqui. O que se viu no estádio do clube Nacional, na Barra Funda (SP), acostumado a receber partidas de futebol, foi um amadurecimento do rugby brasileiro. Não só dentro de campo, com atletas jovens chamando a atenção e jogadores experientes dando conta do recado. Mas também fora dele, com apoio da torcida, gente nova experimentando a modalidade e repórteres traduzindo para o público todo esse recente sucesso.

Vencer o Paraguai não era tarefa tão fácil assim. Além da rivalidade entre os dois países, o jogo tinha um peso gigante, já que o perdedor estaria fora não apenas do Sul-Americano como das eliminatórias para a Copa. Tudo foi decido em um duelo único, onde o Brasil soube aproveitar bem o mando de campo. A expectativa também era grande para ver uma nova comissão técnica em ação – ainda mais quando a escalação confirmava uma equipe bastante nova em idade.

A combinação de acertos, desde os treinos até as escolhas fora de campo, não podiam ter resultado melhor. O jogo foi duro, mas em nenhum momento o Brasil perdeu o controle da situação. Não há dúvida de que toda essa expectativa também aumenta a responsabilidade dos jogadores, o que poderia ter gerado um efeito reverso bastante perigoso.

Mais do que uma aula de atitude em campo, o rugby brasileiro deu lição de maturidade fora dele. Torcedores com cerveja nas mãos não causaram nenhum problema para o espetáculo. No próprio camarote da Heineken, patrocinadora da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), onde as bebidas eram servidas livremente, alguns torcedores paraguaios gritavam fervorosos para o time. Mesmo com uma brincadeira ou outra, não houve falta de respeito ou qualquer menção a brigas e xingamentos. Todos assistiram e torceram lado a lado, com bebida na mão, e nenhum problema registrado durante mais de 80 minutos.

Claro, crianças também ajudaram a encher o estádio, muitas delas levadas por pais interessados na modalidade. Não há dúvidas de que este dia serviu para cativar futuros atletas e rugbiers que, assim como aqueles que honraram a camisa contra o Paraguai, nunca vão se esquecer deste sábado abafado em São Paulo.

É claro que o resultado não pode ser usado como motivo para grande alarde. Subir um degrau no rugby internacional ainda é um passo bem longo para nossa realidade. Chile e Uruguai são bem mais fortes. A vitória pode até ser esquecida, para não confundir a cabeça de ninguém, mas o ímpeto em campo e o apoio recebido não podem nunca sair da memória.

Ao fim do jogo, outro fato comum no rugby, mas impossível de se pensar em outros esportes. Com os portões abertos os jogadores curtiram cada minuto, cada foto e cada autógrafo para essa crescente legião de admiradores do rugby. O espanto também chegou a grande parte da imprensa que explorou o fato e conseguiu transmitir bem o que isso significa no universo do esporte, que sempre procura cuidar de seus valores.

Cada jogador em destaque ali sabe muito bem que, no fundo, a vitória foi coletiva. Ele não é nada esportivamente se não puder contar com um rugby organizado, respeitoso e com ideais e projetos que visem um futuro vencedor. Por mais importante que possa ter sido dentro de campo – e realmente foi – quem ganha é o rugby brasileiro e aquela criança que vai poder viver daqui alguns anos um dia parecido, quem sabe do outro lado, com condições de ter chegado à seleção com muito mais apoio e estrutura. E se chegar lá, que faça por merecer.

ELIMINATÓRIAS COPA DO MUNDO DE RUGBY – 2015

BRASIL 35 X 22 PARAGUAI
ESTÁDIO DO NACIONAL (27/10)

BRASIL RUGBY XV:

Allan Martins (Careca) – Rio Branco RC
Bruno Garcia – Jacareí RC
Carlos Oliveira (Carlão) – São José RC
Daniel Danielewicz (Nativo) – Desterro RC
Daniel Gregg – Niterói RFC – CAPITÃO
Danilo Lima (Vermelho) – Rio Branco RC
Danilo Taino (Camisa) – Ilhabela RC
Diego Lopez (Diegão) – Pasteur AC
Erick Cogliandro (Putim) – São José RC
Felipe Claro (Alemão) – SPAC
Fernando Portugal – Bandeirantes RC
Jardel de Mendonça (Cocão) – SPAC
Jardel Vettorato – Novo Hamburgo RC
João Luiz da Ros (Ige) – Desterro RC
Jônatas Paulo (Chabal) – Bandeirantes RC
Júlio de Mendonça (Cocasso) – SPAC
Lucas Abud – SPAC
Lucas Croffi – Pasteur AC
Lucas Duque (Tanque) – São José RC
Lucas Piero (Bruxinho) – Desterro RC
Martin Schaefer – Rio Branco RC
Matheus Daniel (Matias) – Jacareí RC
Matheus Silva (Tcheus) – Ilhabela RC
Moisés Duque – Blagnac SCR (FRA)
Nicholas Smith (Nick) – Stockport RUFC (ING)
Thiago Maihara – Pasteur AC

FOTOS: RAFAEL SILVA / DIVULGAÇÃO ZDL